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A Região Demarcada da Bairrada foi consagrada em 1979, embora alterada
em 1991, para abarcar novas denominações, dispondo de cerca de 20 mil
hectares de vinhas que produzem entre 450 e 550 mil hectolitros por ano.
Mais de 90 por cento desta produção refere-se aos vinhos tintos, o que
revela bem o domínio destes encepamentos. A colheita de 1988 foi a que
ofereceu melhores vinhos, desde a criação da região demarcada, embora
parca na quantidade.
A verdadeira catedral dos vinhos da Bairrada é o Palace Hotel do Buçaco,
cujas caves são fruto de uma cuidadosa procura dos melhores vinhos dos
lavradores locais, os quais são objecto de um acompanhamento cuidadoso,
quer no estágio em tonéis de madeira quer no envelhecimento em garrafa.
Mas esses vinhos só podem ser consumidos nos hotéis da cadeia a que
pertence o Palace Hotel. (…)
Há quem considere que a denominação Bairrada deriva da existência de um
número imenso de povoações chamadas Bairro (antigo barrio), e que estas
derivam da ocorrência de muitos «barros» ou terrenos argilosos. E são
estes terrenos o substracto para os melhores vinhos tintos bairradinos.
Mas também ocorrem terrenos arenosos, mais próprios para os vinhos
brancos, e já hoje a Bairrada apresenta excelentes brancos, alguns dos
quais até suportam bem o envelhecimento.
É também nesta região que, desde finais do século passado [séc.XIX], se
desenvolveu a produção dos espumantes naturais pelo método champanhes,
ou seja, pela segunda fermentação em garrafa. Os apreciadores podem
encontrar bons espumantes naturais bairradinos, (…).
Para os brancos, os encepamentos instalados em terrenos arenosos são os
tradicionais, com as castas Maria Gomes e Bical, pontuadas por um pouco
de Cercial e Cercialinho. Nos tintos, é a casta Baga que domina,
encontrando-se as videiras instaladas em terrenos argilosos calcários
(margas calcárias).
Embora a Bairrada seja essencialmente uma região de vinhos tintos,
alguns brancos não desmerecem (…). |