|
ALENTEJO
A
cada região correspondem tipos de vinhos com características organolépticas
diferenciadas, salientando-se os tintos de Reguengos de Monsaraz, os
brancos da Vidigueira e os brancos e tintos produzidos em Portalegre,
Redondo, Borba e Granja.
O
prestigio e a originalidade destes vinhos é resultante dos
processos tradicionais de vinificação. De um modo geral, tanto os
mostos brancos como os tintos fermentavam em curtimenta em patamares ou
talhas de barro, onde a fermentação podia atingir temperaturas da
ordem dos 35 graus.
A
guarda ou o armazenamento dos vinhos era efectuada em tonéis ou talhas
de barro, que ainda hoje se podem ver em algumas adegas particulares.
BAIRRADA
Surgem-nos
as vinhas no meio das casas ou escondidas pelos pinhais. A Bairrada,
cujo nome advém do facto da constituição dos seus solos, de um
vermelho vivo muito argiloso, é uma zona de localização privilegiada
entre o Vouga e o Mondego, a meio caminho entre o Porto e Lisboa, e
desde há muitos anos local conhecido de fartas e gulosas celebrações
gastronómicas. Os seus tintos taninosos e ricos de cor resultam em óptimas
reservas que melhoram progressivamente com o envelhecimento. Os brancos
são frescos e acídulos e os melhores entre eles envelhecem com
dignidade.
SETÚBAL
A
Península de Setúbal tem vinhos de montanha e vinhos de planície.
Vinhos de mesa e vinhos generosos. Perfumados como as laranjas, frescos
como a Serra da Arrábida, doces como o clima mediterrânico.
O
clima da região é um clima misto, sub-tropical e mediterrânico, o que
lhe fornece um microclima muito específico que, juntamente com as
características do solo e a influência do mar e dos rios Tejo e Sado,
dá origem a vinhos com características muito particulares.
Nesta
região produzem-se bons vinhos de mesa tintos carregados de cor e
encorpados, com elevado extracto seco, pouco áridos, ricos em álcool -
12/14 graus - e que envelhecem bem e rapidamente.
RIBATEJO
O
Ribatejo é uma das mais importantes regiões vinícolas do país, sendo
constituída essencialmente pelos concelhos de Azambuja, Cartaxo, Rio
Maior, Santarém, Almeirim, Alpiarça, Chamusca, Golegã, Salvaterra de
Magos, situa-se e em grande parte na bacia baixa do rio Tejo.
Esta
região produz tradicionalmente mais vinho branco que tinto. Os brancos
vinificados a partir das castas Fernão Pires, a mais predominante na
região. Alguns criados nos areais, são muito conversadores.
As
castas tintas são predominantemente a Trincadeira-Preta, Castelões-Nacional,
João de Santarém e Preto-Martinho.
ESTREMADURA
É
a maior região vinícola do pais, englobando todos os concelhos da
faixa litoral, desde a foz do rio Tejo até aos concelhos de Óbidos e
Caldas da Rainha, a norte, sendo limitada a leste pela região
ribatejana.
Na realidade, a região de Vinho
Regional Estremadura tem como limite norte os concelhos de Pombal e de
Ourém, abrangendo Leiria, Batalha, Porto de Mós entre outros. (*)
Terra
abundante em vinhos e casas brasonadas. Ouve-se cada vez mais falar nos
vinhos da Estremadura. Produz-se agora menos, mas melhor.
Os
vinhos tintos, vinificados a partir das castas regionais Trincadeira,
Camarate, João de Santarém e Tinta Miúda, apresentam cor vermelha -
violácia ou granada, são aromáticos, encorpados, com sabor vinoso, têm
uma força alcoólica acentuada e adquirem qualidade com o
envelhecimento. Os leves, de cor rubi são obtidos a partir das castas
Mortágua e Tinta Pinheira.
Esta casta, que tem tido uma
nomenclatura atribulada, foi recentemente renomeada na lista oficial
como Castelão. (*)
A casta Baga, com forte presença na
região da Bairrada, é também casta oficial nesta região e
recomendada na região de VQPRD de Encostas D'Aire onde tem uma
presença forte no encepamento e recebe, além do nome oficial, os nomes
locais de Carrasquenho e Poeirinho. (*)
AÇORES
Na
ilha do Pico existe uma adega cooperativa que vinifica quase
exclusivamente todo o vinho branco, obtido das castas Verdelho, Arinto e
Fernão Pires, é fresco, leve, seco e frutado. Igualmente é laborado
um vinho branco à base de Verdelho, que é seco, com uma graduação
alcoólica entre os 15 e os 17 graus, com características organolépticas
excelentes para aperitivo e que alcançou no século passado grande
prestígio internacional, pois era muito apreciado na Corte Russa.
ENCOSTAS
DA NAVE
e
VAROSA
Nestas
terras antigas, em que no século XI os monges de Cister já produziam
vinhos, produzem-se vinhos brancos frutados, leves, frescos e secos,
tintos cálidos e espumantes capitosos, estes provavelmente os melhores
de todos os que se elaboram em Portugal.
As
‘‘Encostas da Nave é uma região localizada nas fragas
da serra que lhe dá o nome e abrange os concelhos de Moimenta da
Beira, Penedono, São João da Pesqueira, Sernancelhe e Tabuaço. Os
seus vinhos brancos são finos de aroma, citrinos e de elevada acidez
fixa. A sua qualidade e prestígio deve-se fundamentalmente à casta
Malvasia Fina, encontrando-se nos seus encepamentos também o Gouveio ou
Verdelho, a Códega, o Cerceal e o Borrado das Moscas.
DOURO
A
região do Douro recebeu a sua primeira demarcação em 1756, pelas mãos
do Marquês de Pombal, adquirindo ao longo dos anos um lugar de destaque
entre as regiões. Considerada como uma das mais grandiosas e belas
paisagens vinhateiras do mundo, o Douro apresenta-se como um anfiteatro
gigante de xistos e videiras, uma das mais prolíficas regiões
produtoras de vinhos em Portugal.
Rigorosa
na utilização das castas recomendadas cujo peso no encepamento nunca
deve ser inferior a 60%, assim como na atribuição da denominação de
origem, que só acontece quando os vinhos são engarrafados com o estágio
mínimo de 18 meses para os tintos, que são carregados de cor com
aromas a uvas maduras e encorpados e 9 meses para os brancos. Esta região
produz para além de vinhos do Porto e brancos e tintos de mesa, vinhos
rosados, espumantes naturais, aguardentes velhas e bagaceiras que
completam a sedutora palete vinícola desta região.
DÃO
É
entre as serras da Estrela, Caramulo, Nave, Lousã e Açor e o canto das
águas do Mondego e do Dão que nascem os brancos e os tintos da região.
Datada de 1912 esta região, de condições excepcionais para a produção
de vinho, que advém do diálogo resultante das envolventes da região -
as serras e o Atlântico - produz alguns dos melhores vinhos nacionais e
é uma região com um grande potencial de desenvolvimento.
O
tinto, de cor rubi, espirituoso de aroma delicado e sabor aveludado, é
o vinho típico desta região, se bem que produza também excelentes
brancos, leves, frutados e altamente aromáticos. O Dão tinto evolui de
um rubi para um vermelho-acastanhado prova já da experiência do tempo,
acentuando a característica aveludada do seu sabor.
VINHO
VERDE
Verde
e fresca a paisagem, variada. E com muitos rios: o Minho com o Coura; o
Lima com o Vez; o Cávado com o Homem; o Ave com o Vizela e o Douro com
o Sousa, Tâmega e o Paiva.
Deste
belo enquadramento natural nasce um dos mais típicos vinhos nacionais.
Vinho a que a História erradamente classificou de verde. Esta designação
nasce da ideia que as uvas não amadureceram, o que se verifica errado,
já que as uvas estão maduras, só que os níveis de ácido presentes,
neste tipo de uva, não permitem que os níveis de açúcar sejam muito
elevados.
BEIRA
INTERIOR
No
mais dentro de Portugal, entre serras e fráguas, nascem alguns dos
vinhos brancos mais atraentes do país. E nascem também tintos rubis,
abertos, aromáticos e leves.
As
castas dominantes para os brancos são: Codo ou Síria, Arinto-do-Dão.
Arinto-Gordo e Fontecal. Pérola. Rabo-de-Ovelha, e para os tintos:
Bastardo, Marufo, Rufete, Touriga Nacional, Jaen e Tinta Amarela.
(retirado
de «ViniPortugal
Alma
Latina»)
(*) Informações fornecidas pelo Sr. António Marques da Cruz
|