|
Enquanto
esperavam o óbolo, ou no fim de o receberem, rezavam um Pai-Nosso e uma
Avé-Maria, pelas mesmas intenções, em sinal de reconhecimento(1).
Neste dia, os que não se julgavam na obrigação de dar, geralmente
julgavam-se no direito de pedir.
É habito também
os padrinhos oferecerem aos afilhados o «afolar»(2)
ou «santoro» que consiste numa espécie de carcaça espalmada e comprida
de farinha triga, com ovos ou sem eles, envolvida em azeite á saída do
forno.
A tarde desse
dia de Todos os Santos é essencialmente dedicada aos magustos, embora
algumas pessoas de meia idade, a empreguem a enfeitar as sepulturas dos
seus defuntos, realizando-se ainda, ao anoitecer, o «Compasso das Almas»
que hoje em dia já não se faz.
Consistem os
magustos em assar castanhas em fogueiras de caruma, no campo, ao ar
livre.
Fazem parte do
magusto algumas partidas tradicionais, consistindo uma delas em mandar
«molhar o vassouro» a um dos circunstantes mais ingénuos que desconheça
ainda as «leis» dos magustos. Esta ordem é dada quando as castanhas
estão quase assadas e sob pretexto de, com ele, se apagar a
fogueira.
Tal brincadeira
tem por fim entreter a vítima deste engano, de modo que os outros comam
as castanhas todas e bebam a jeropiga enquanto ela vai à procura de
água, a não ser que alguém a previna a tempo.
Outra partida,
indispensável no magusto, é a de se enfarruscarem todos uns aos outros,
procurando que não escape ninguém. Para isso, enquanto se vão
descascando as castanhas, enegrecem-se as mãos, quando se puder,
esfregando-as mesmo no borralho.
Há, por vezes,
correrias loucas para apanhar algum mais «esquisito» que não queira
sujeitar-se a este costume.
É assim que se
divertem enquanto comem as gostosas e quentes castanhas, ainda a
estalar, e vão bebendo a deliciosa jeropiga beiroa, obrigatória em todos
os magustos da região.
|