|
Mordomo
de Fontão dá de comer a 400
Freguesia de Ponte de Lima mantém tradição
Em
Fontão, Ponte de Lima, a tradição não morreu. Está viva e
recomenda-se. Que o diga José Franco, produtor agrícola, este ano feito
mordomo da cruz da freguesia, cargo que implica oferecer o almoço de Páscoa
a quase todos os residentes na pacata localidade. Isto além de assegurar,
durante um ano, a limpeza da igreja e os préstimos do sacristão.
Uma vez na vida
"Sinto-me honrado por fazer a festa.
Toca a todos, uma vez na vida", confidenciou José Franco. A propósito,
acrescentou: "Não será muito difícil fazer a festa porque as
pessoas sempre ajudam com alguma coisa, tanto com dinheiro como com mão-de-obra."
Ao indicar que o almoço deste ano, em que deverão tomar parte cerca de
400 convivas, decorrerá na cave do salão paroquial, disse que, entre
serventes e cozinheiras, trabalharão para o repasto cerca de 25 pessoas.
Para o efeito, foi criada uma cozinha, anexa aos espaços do centro social
da freguesia, de modo a "retirar os cheiros" do espaço. Da
ementa fazem parte um prato de peixe e outro de carne, iguarias que serão
acompanhadas de branco e tinto da região. Para sobremesa, pudim, arroz
doce e salada de frutas.
"Cristo" da Páscoa
No final do primeiro prato tem lugar o
momento mais esperado da tarde, o da nomeação do mordomo do ano
seguinte. A mulher do mordomo que cessa funções percorre, então, as
mesas com um ramo de laranjeira na mão, simulando deixar o testemunho no
lugar do próximo responsável pela festa. Depois de alguns sustos, para
uns, e momentos muito divertidos, para outros, é escolhido o mordomo, que
as línguas mais afiadas da terra já se encarregaram de baptizar de
"Cristo" da freguesia.
Aludindo à escolha do mordomo, José Franco
salientou: "Só faz a festa quem quer, mas há sempre um contacto prévio
com possíveis candidatos ao lugar. Posso acrescentar que tenho já uma noção
de quem será o meu sucessor. Trata-se de tradição cujas origens se
perdem no tempo, mas que nunca deixou de se realizar. Não há notícia de
interrupções. Num ano, um mordomo viu-se obrigado a desistir da tarefa,
mas apareceu logo quem se oferecesse para ocupar o lugar."
Luís Oliveira
Fonte:
Jornal de Notícias –
30.03.2002
|
|