|
A Festa de Santo Estêvão, também denominada Festa dos Rapazes, insere-se
no contexto das festas nordestinas realizadas no ciclo dos 12 dias, do
Natal aos Reis. Neste período - que engloba o solstício do Inverno - são
várias as aldeias que experimentam o tempo festivo destacando-se Grijó
de Parada, Parada, Serapicos, Agrochão, Babe, Rio d’Onor e Ousilhão.
A festa realiza-se todos os anos, nos dias 25 e 26 de
Dezembro e nela toma parte toda a comunidade - homens, mulheres e
crianças.
|
|
A organização é promovida pelos rapazes ou moços da
aldeia, de preferência solteiros. Insere-se no âmbito das festas do 1.º
ciclo - as festas de Inverno - por estar relacionada com as épocas do
ano, com as estações e com os fenómenos meteorológicos que lhe estão
associados.
A festa na localidade de Ousilhão é religiosa envolvendo
cerimónias de carácter cristão - missa cantada e procissão em torno da
capela em honra de Santo Estêvão - protomártir dos alvores do
cristianismo, e cerimónias que, aparentemente, nada têm de cristão,
nomeadamente a eleição de indivíduos que exercem temporariamente certos
cargos dignitários - “rei”, “vassais”, e, por vezes, “bispo”.
A atenção dispensada a este período tem levado ao
estabelecimento de relações destas festas, como refere o Abade de Baçal,
com «as festas saturnais celebradas pelos romanos durante 5 ou 7 dias,
começadas a 17 de Dezembro, em honra de Saturno, com grandes
brincadeiras e mostras de alegria». Diz ainda o mesmo autor que às
saturnais se agregaram as das juvenais, uma festa que era celebrada pela
gente moça no dia 24 de Dezembro com canto bródio e patuscada. Refere
também que estas costumeiras atingiram o apogeu na Idade Média na Festa
dos Loucos que era celebrada por clérigos de ordens menores, diáconos e
sacerdotes durante 12 dias, desde o dia de Natal até ao dia de Reis.
Também lhe chamavam Festas das Calendas, por serem celebradas
principalmente no dia 1 de Janeiro, e ainda Festa dos Subdiáconos.
Fonte |