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(continuação...)
Sabe-se, porém, que um
dos modos de apreciar um cavacório é o seu acompanhamento com Vinho do
Porto - designação comercial mais conhecida e associada a um produto que
é genuína e exclusivamente duriense - portanto de paragens também
vila-realenses.
Sendo uma das suas
variedades um vinho doce, é complemento de refeição e final de
sobremesa. Foi associado ao cavacório pela doçura da sua cobertura e
pela massa que o forma a ajuda a «absorver».
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Numa das suas mais típicas deglutições
faz-se verter o vinho no cavacório, que vira assim «cálice» branco e
doce onde se exalta a simbiose de sabores que se conjugam e definem um
conjunto a marcar um paladar mais forte. Não se acentua pelo
«contraste», pois há outras formas de degustação em que o «Generoso»
também se aprecia com um salgado, mas sim pela sensibilização de
idênticas zonas palatais. Seja ele qual for, bebe-se sempre a qualquer
hora e em qualquer «companhia» desde que seja velho e bom.
Será pois mais razoável
e credível a associação ao Vinho do Porto, para as gentes do «Doiro»
«Generoso ou «Fino», o vinho que é da maior tradição na família
portuguesa. É o costume mais forte e o brinde mais usado em qualquer
festa, e celebra noivados e baptismos, aniversários e regressos,
negócios, amores e até desencontros, e é companheiro na solidão ou no
infortúnio.
Por isso há sempre
cálices brilhantes à espera deste sol engarrafado que lhes dá ainda mais
brilho, e bem, assim o melhor sabor a um cavacório que alegra as festas
e as tradições. É aqui, à beira do Marão que desce pelos socalcos dos
vinhedos até ao Douro, que o sol e o xisto se transformam para encher
cálices e conchas de néctares que ressumam o labor de quem os trabalhou
e amou. É aqui também que, dos segredos das iguarias culinárias e da
doçaria, apareceu o cavacório que serve de taça ao ouro do Douro.
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Retirado de folheto promocional da Região de Turismo da
Serra do Marão. Pesquisa histórica de Juvenal Cardápio |