No dia 27 de Dezembro de
cada ano, dia de S. João Evangelista na Liturgia Romana,
em Constantim, povoação do Concelho de Miranda do Douro,
aparece o conjunto do Carocho e da Velha. (Ver
vídeo)
O Carocho veste um fato de
pano grosseiro e largo.
Apresenta a cabeça coberta
com uma máscara de couro que lhe cobre também a fronte
até ao pescoço. No pescoço tem um rosário de carretas de
linhas, já vazias. Nas mãos suporta um garfo de madeira
de grande tamanho com que recolhe as peças de fumeiro;
chouriças, salpicões, costelas, orelhas e pés de porco.
Do queixo da máscara pende
uma barbicha de bode como no chocalheiro de Bemposta.
Sobre o trajo grosseiro, o Carocho ostenta uma bofanda de
lã. Calça galochas ou polainas
com botas de bezerro ou socos.
A Velha ou “Tiê Biêlha”
veste saia, blusa de chita estampada, lenço chinês na
cabeça, xaile a tiracolo, um rosário de castanhas
assadas ao pescoço e um saco ou surrão no ombro
esquerdo. Na mão direita traz uma estaca com que recolhe
a esmola de chouriça e outras peças que lhe vão dando
pelas casas.
Logo de manhãzinha cedo,
depois de desenjuar, acompanhados por um grupo de
tocadores de flauta pastoril ou gaita de foles, caixa e
bombo e por um grupo de pauliteiros da povoação, o
carocho e a Velha percorrem as ruas da povoação
recolhendo a esmola para a festa de S. João. Recolhem
chouriças, salpicões, dinheiro e cereal.
Com esta esmola pagam a
festa. As peças de fumeiro, pés, orelhas e costelas de
porco, são para fazer a ceia comunitária que se realiza
nos dias antes do Ano Novo, a 29 ou 30 de Dezembro. Na
Ceia comunitária participam todas as pessoas da povoação
e outras pessoas convidadas pelos mordomos da festa.
Os pauliteiros dançam um
laço à porta de cada vizinho e o Carocho e a Velha
acompanham, dançando, o ritmo dos instrumentos musicais
dando saltos, fazendo trejeitos e dizendo graçolas.
À porta dos vizinhos a quem
faleceu algum familiar nesse ano, a dança pára e reza-se
pelas almas das obrigações daquela família.
Esta festa do carocho e da
Velha de Constantim conserva-se ainda com muita
originalidade do seu ritual. Tem origem em rituais
dionisíacos e nela aparecem sinais de comunitarismo
antigo.