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A CAPEIA ARRAIANA
O FORCÃO E O ENCERRO
Sem
o forcão, não haveria capeia tipicamente arraiana, visto ser este o
elemento fundamental, o que dá verdadeira originalidade às touradas da
raia do Sabugal. Sinteticamente, poder-se-á dizer que o forcão consiste
num corpo triangular feito de madeira de carvalho e construído uns meses
antes do início da capeia.
O forcão é ainda constituído pela galha (onde os touros marram), e pelo
rabiche que representa o leme do forcão, sendo dirigido por dois homens
de estatura mais elevada. A capeia é efectuada no largo principal da
povoação (vulgo praça), cuja periferia é tapada e cercada em círculos,
com tractores agrícolas e estruturas de madeira, por forma a proteger as
pessoas das investidas dos touros. Em cima dos tractores e dos carros de
bois carregados de lenha, instalam-se tão comodamente quanto possível,
os espectadores. A origem do nome forcão, liga-se à palavra latina furca,
e pertence à mesma família de forquilha, e do francês “fourchete”, que
significa garfo. Aliás, o forcão, assemelha-se muito a uma gigantesca
forquilha.
A capeia dos Fóios é realizada sempre na 3ª terça-feira do mês de
Agosto, inicia-se por volta das 17 horas, após o calor; o encerro é
feito de manhã, e representa a entrada dos touros na praça, onde são
posteriormente metidos num curral anexo, até à hora do início da
corrida. Em cada capeia, são seleccionados seis ou sete touros, dos
quais um, é “experimentado” logo a seguir ao encerro, e designa-se por
“boi da prova”, que irá dar indicações acerca do poderio da manada, e do
eventual desenvolvimento da capeia a desenrolar-se à tarde. O encerro é
por conseguinte, um dos momentos mais ansiados pelas pessoas, e que
proporciona maior emoção. A capeia dos Fóios tem tido ao longo dos
tempos, fama de ser uma das mais ousadas, emocionantes e inebriantes
capeias de toda a zona da raia; o perigo, o nervosismo e a coragem, são
coisas que não faltam no desenrolar da capeia, e apesar da não
existência dos “touros de morte” nas arenas raianas, está sempre em
aberto a possibilidade de alguém ser ferido (ou mesmo morto) com
gravidade. Alguns touros são tão possantes e bravos, que chegam a
levantar o forcão em peso, e a sacudi-lo como se de um brinquedo se
tratasse; é nestas alturas que se prova a valentia destemida da malta
jovem, rivalizando com a população das aldeias vizinhas, tentando desta
forma, alcançar uma maior superioridade em relação ás outras povoações
da raia.
Os
mordomos da capeia (que são nomeados anualmente pelos anteriores
organizadores) são geralmente dois, escolhidos entre os rapazes
solteiros, de preferência antes de cumprirem o serviço militar. É a eles
que se destina o primeiro touro da capeia, ficando cada um deles a sua
galha do forcão, com o apoio dos mais velhos e experientes.
Infelizmente, o número daqueles que sabem pegar ao forcão, é cada vez
menor, pois os velhos vão morrendo e os novos, ou não querem ou não os
deixam arriscar-se. Em contrapartida, a violência sobre os animais é
hoje menor do que antigamente, pois chegavam a matar-se bois na praça,
batendo-lhes impiedosamente com estadulhos.
Por tudo isto, se compreende a importância e o valor dado à capeia pelos
fojeiros, altura única em que se reúnem os familiares e amigos (alguns
emigrantes), num ambiente festivamente eufórico e de grande alegria
popular. O fenómeno da capeia é essencial para se entender em toda a
magnitude, a tradição e a cultura popular da aldeia, bem como os seus
costumes e o modo de vivência lúdica, tão fortemente enraizados no
espírito raiano.
A
origem da Capeia
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