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Quinta-Feira
Santa realizava-se a procissão do Senhor dos Passos pelas ruas da vila,
tornava-se como sempre majestosa, algumas das vezes complementada com um
sermão do "encontro" um ritual sempre muito aguardado com ansiedade e
com certa fama na região.
No dia seguinte na noite Sexta-Feira Santa, era a vez de ter lugar a
procissão do enterro de Jesus também pelas principais artérias de Loriga,
e tal como a escuridão da noite o negro das capas da Irmandade era
impressionante, incorporando-se todo o povo, com verdadeiro respeito,
devoção e muito sentimento. |
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Chegava finalmente o
Domingo de Páscoa, que começava com toda agente a
despertar mais cedo, pois não havia tempo a perder. As donas de casa
apressavam o almoço e davam os últimos retoques nas respectivas casas.
Era preparada e enfeitada a bandeja dos bolos. Dos "guarda-loiças" eram
retirados os melhores cálices e copos. Preparavam-se as garrafas do
vinho abafado ou vinho do Porto já há muito tempo guardadas,
especialmente, para esse dia. Ao meio-dia em ponto dobravam os sinos da
Igreja anunciando a saída do Senhor Padre e da Cruz de Cristo para a sua
visita Pascal.
Todas as portas eram bem abertas, trocavam-se as visitas de familiares e
amigos, era uma azáfama total, com as pessoas a correr de um lado para
outro, quando por vezes as visita Pascal condizia numa ou noutra casa ao
mesmo tempo. Por norma a visita pascal era realizada por dois padres que
percorriam toda a vila, um para o "cimo" outro para o "fundo".
A Visita Pascal terminava já com o cair da noite, sendo bem patente nos
rostos o cansaço, mas ao mesmo tempo a satisfação do dever cumprido para
com o Senhor e com as famílias, mas também acima de tudo sobressaía em
todos, a Amizade, a Paz e a Fraternidade.
No dia seguinte as pessoas pareciam sentir já saudade desta quadra então
agora terminada, pensando mesmo já no próximo ano para que voltasse bem
depressa.
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