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»» VISITAS >> Ponte de Lima

E DE PONTE SE FEZ VILA

     AUTO-proclamada como a mais antiga vila de Portugal, segundo Foral assinado em 1125 pela condessa D. Tareja, Ponte de Lima é uma beleza constante ao sol e à chuva. No início da última década do milénio passado, a Assembleia Municipal da vila minhota recusou a elevação à categoria de cidade, carregando o lema de que «mais vale ser uma grande vila do que pequena cidade». Quando se entra na capital da Ribeira Lima, a ideia de um dia se poder ver aquele sítio maravilhoso deturpado por um progresso mal entendido arrepia.
     O grande areal que recebe as feiras e a vaca das cordas - que marcou o fim da tradição pagã fazendo o bicho vergar-se em frente da Igreja, num ritual milenar que hoje em dia se inicia na casa de Nossa Senhora d'Aurora - é atravessado pela ponte medieval, que se aproveitou de uns quantos metros de artes construídos pelos romanos e ali deixados como restos de um legado imperial.
     Ponte de Lima é um monumental retrato histórico do Portugal emergente, e 876 anos depois recusou o estatuto de cidade.
     É normal abordar a vila pelo Largo de Camões, depois de se ter descido pela Rua do Cardeal Saraiva. Seguindo para Sul, pelo Passeio de 25 de Abril, logo se descobre a quinhentista Torre de S. Paulo, a Igreja da Misericórdia, os restos da muralha medieval e a velha Torre da Cadeia. A Judiaria e a Capela da Senhora da Penha de França fecham esta parte do circuito. Procure-se agora a bela Igreja Matriz e todo o conjunto de fachadas góticas e manuelinas, bem como o Paço dos Marqueses de Ponte de Lima - que já foi sede da Câmara - e o Solar dos Condes d'Aurora. Atravesse-se a ponte e ter-se-á uma nova perspectiva desta vila antiga mas arejada e singela. Aí encontra-se a Capela do Anjo da Guarda (séc. XIV) e a menos interessante Capela de Santo António da Torre Velha (séc. XIX). Neste lado do rio é ainda possível visitar os Jardins Temáticos e o Museu Rural, recentemente inaugurado. De regresso, e se o dia o permitir, não há nada como parar numa das várias esplanadas do Largo de Camões. De novo a caminho, numa zona mais central da vila, descobrem-se ruelas cheias de história, como a Calçada dos Artistas (dos artesãos das mais variadas artes) e, na Rua da Fonte da Vila, a curiosa casa torreada dos Barbosa Aranha.
     Em Ponte de Lima há sempre algo de curioso para ver, nem que seja uma humilde loja de ferragens ou uma brilhante joalharia que na montra expõe peças de ouro que parecem de outros tempos. É que estas peças são réplicas de adornos visigóticos e romanos, que os artífices desta região recuperaram para o presente. Um bom almoço retempera forças ao visitante desta que «de ponte se faz vila» (texto do foral) e que não se esgota no que aqui foi dito.


Texto retirado de 
Guia da Semana - Expresso, nº10 (Norte)

 

 


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