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Igreja de S. Francisco

      A IGREJA romano-gótica de S. Francisco, no Porto, é apenas a parte mais visível de um percurso de várias artes que se inicia no século XIII e vem até aos alvores do século XX. Inclui aquilo que foi denominado pelos seus responsáveis como igreja-monumento, de estilo românico tardio, que foi sofrendo várias alterações através dos tempos, cruzada por retoques renascentistas e pelo pesado barroco em talha rica, diversificada nos vários altares. Peças como a Árvore de Jessé — a árvore genealógica de Nossa Senhora -, pintura flamenga e estatuária sacra das mais diversas providências e épocas transformam esta igreja numa autêntica máquina do tempo em termos artísticos e arquitectónicos. O percurso ideal leva o visitante à Casa do Despacho, riscada por Nicolau Nasoni, e à Sala das Sessões — a divisão mais nobre, onde, além do mobiliário, se destaca uma grande tela de Vieira Portuense que retrata a Morte de Santa Margarida de Cortona. No mesmo edifício pode ainda visitar-se a Sala do Tesouro, com inúmeras peças sacras, tais como um sacrário-sepulcro da Semana Santa (Escola Portuguesa do século XVIII), em talha dourada e espelho, uma nela custódia em prata dourada e minas novas, e uma pequena mas muito bela barca da morte evocativa de Nossa Senhora da Boa Viagem. De novo Vieira Portuense impera, com dois grandes quadros retratando Santa Isabel de Portugal e Nossa Senhora da Conceição.
      Exactamente por baixo destas salas encontra-se um enorme cemitério catacumbal, também riscado por Nasoni.
      A encerrar o trajecto, entra-se naquela que é a actual Igreja da Ordem Terceira de S. Francisco e que foi o primeiro local de culto em estilo neo-clássico construído no Porto. Iniciada em 1794 sob planta do arquitecto da Relação do Porto e riscador de retábulos António Pinto de Miranda, esta igreja é substancialmente mais leve do que a chamada igreja-monumento, com os seus tectos em branco e ouro. Decorado em grande parte por Manuel se Sousa Allão, este belo templo foi terminado já no século XIX.


Texto retirado de Guia da Semana - Expresso, nº2 (Norte)

 

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