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Da Arte Nova e de outras artes

      ENTRAR em Aveiro é, hoje em dia, uma tarefa facilitada pelo IP5, o que traz também a vantagem de depositar o visitante directamente no coração da cidade das salinas e dos canais. Ao passar-se pela margem sul do Canal Central, é inevitável reparar do outro lado, na R. João Mendonça, num breve friso de belas frontanas em estilo arte nova. Avançando em direcção ao Rossio, pela R. Barbosa de Magalhães, nota-se o triste estado de conservação daquela que é talvez a mais emblemática edificação em arte nova de Aveiro: a casa Major Pessoa, trabalhada ao pormenor pelos arquitectos Silva Rocha e Korrodi, encimada pela águia que simboliza a cidade. Tem a particularidade de não ser apenas uma fachada — como acontece com a maioria dos edifícios congéneres da cidade -, o que se pode observar nas suas traseiras que dão para a R. Tenente Resende. Aí se nota totalmente o mesmo estilo, ao que se junta um pequeno mirante arrebicado e um painel de belos azulejos — infelizmente em pior estado de conservação que o da própria casa. O edifício, no entanto, foi já adquirido pela edilidade, que vai restaurá-lo e dar-lhe o destino condigno.
      O percurso de arte nova aveirense está sucintamente apresentado num folheto do Posto de Turismo local, instalado exactamente numa das três primeiras casas atrás descritas. Mas Aveiro é um festival de arquitectura de várias épocas: há a manuelina Capela do Senhor das Barrocas, a «salada» de estilos patente na Igreja de 5. Domingos (Sé Catedral) — gótico, renascentista, barroco e maneirista -, o Convento de Jesus (séc XV) que é hoje o Museu de Aveiro e onde se podem admirar o túmulo da Princesa Santa Joana e o Tríptico de S. Simão, entre muitas obras da arte sacra, a Casa de Santa Zita e a fabulosa estação da CP com os seus painéis de azulejos. Aliás, Aveiro é também um hino à azulejaria, com aplicações em alguns casos exemplares, como o são os painéis representativos das quatro estações do ano na frontaria de uma velha casa da R. Manuel Firmino.
      Há ainda o Centro Cultural instalado na antiga Fábrica de Cerâmica Campos (1915), o Mercado do Peixe com arquitectura do ferro, a Capela de São Gonçalinho situada no largo do mesmo nome. Destaque ainda, pela positiva, para o neoclássico Governo Civil, a Capela de S. Bartolomeu (séc XVI) de planta circular, o gótico-manuelino cruzeiro da Sé Catedral, a Fonte das Cinco Bicas, o cruzeiro da Senhora da Alegria (séc XVII) com cobertura assente em quatro colunas jónicas e o oitocentista Parque da Cidade com os seus arvoredos, recantos, coreto e esculturas.
      Pela negativa, o destaque vai para alguma degradação em certos edifícios, como é o caso do da Capitania, que parece não ter salvação. Mas há ainda, no lado bom, os inesquecíveis ovos moles...


Texto retirado de Guia da Semana - Expresso, nº12 (Norte)

 

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