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Caminho de Lamego
Lamego,
com o seu Castelo e a sua Torre de Menagem (séc.XIII), a Igreja de
Santa Maria de Almacave, a Sé Catedral, foi terra de votos de
Santiago. Segundo o Chronicon Iriense, Ramiro II no ano de 834 não
satisfeito com a oferta que fez à Catedral de Compostela ordenou que
todas as igrejas situadas desde o rio Pisuerga até ao Douro pagassem ao
apóstolo Santiago um censo «no valor de uma medida de pão e de um
almude de vinho por cada junta de bois com que lavrassem a terra, como
prova de gratidão pela vitória sobre os árabes, pondo assim termo,
pelo via militar, à degradante exigência de cem donzelas por ano». E,
ainda, no séc.XV a Catedral de Santiago reclamava à diocese de Lamego
a renda destes votos!
Saímos de Lamego em direcção a Peso da
Régua. Foi D. Teresa que doou a D. Hugo, Bispo do Porto, a igreja
que ali existia com metade do rendimento da barca de passagem. Em
quinhentos, atravessavam ao rio Douro a barca de Bagaúste, que
pertencia ao Bispo de Lamego; a da Régua, do Bispo do Porto e do
Infante D. Fernando; a do Carvalho, privada de uma quinta; a do Moledo,
instituída por D. Mafalda; a do Bernaldo, privada e a do Porto de Rei,
também da Rainha Mafalda. E ainda lembrados dos velhos rabelos
carregados de «vinhos finos», vamos seguir os dois caminhos de
Santiago. Uns, optavam pelo caminho que os levava por Mesão Frio,
Amarante (a igreja e o convento de S. Gonçalo foram edificados
em 1540, no interior existe um altar dedicado a Santiago; de interesse,
também, a Ponte de Amarante mandada construir por S. Gonçalo para os
peregrinos poderem transpor o rio Tâmega), e seguiam por Lixa, Felgueiras,
em direcção a Guimarães e Braga com opção depois pelo
"Caminho de Celanova" ou o "Caminho da Geira
Romana". Outros saíam do Peso da Régua por Vila Real
(fundada por D. Dinis em 1289, assumindo o privilégio da antiga Terra
de Panóias - visita obrigatória a este santuário rupreste de origem
pré-romana, assim como à capela de S. Brás (séc. XIV) e à Sé,
antigo convento de S. Domingos, mandada construir por D. João I), Vila
Pouca de Aguiar, Pedras Salgadas, Vidago, Chaves (uma
das principais encruzilhadas de vias de peregrinos - em 1160 D. Mafalda
manda construir capela e albergaria destinada a acolher os peregrinos
jacobeus), depois, Verin, Orense, Lalin e Santiago.
Também pode optar, na saída de Braga, pelo Caminho que passa
por Pico de Regalados, Ponte da Barca, Arcos de
Valdevez, Monção/Salvaterra e/ou pela Geira Romana,
com saída na Portela do Homem e entrada na Ameixoeira por
Melgaço e A Caniza.
in
"Santiago - Caminhos do
Minho" da autoria de Francisco Sampaio e editado pela ADETURN
(Associação para o Desenvolvimento do Turismo da Região Norte)
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