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As salinas de Rio Maior

EM Rio Maior podem vislumbrar-se espaços de memórias mais recuadas do que o conturbado ano de 1975, recordado pelo monumento ao Agricultor, na Praça da República. Neste rossio começa o passeio, subindo as Escadinhas da Capela.

Do templo dedicado a Nossa Senhora da Vitória perdeu-se a data da fundação. Sabe-se que foi refeito em 1718, apresentando na torre um raro relógio de sol. No adro estão as ruínas do Paço Senhorial, citado nas Crónicas de D. João 1, de Fernão Lopes. Nas ruas Conde de Rio Maior e Serpa Pinto restam alguns edifícios oitocentistas, como a Casa Senhorial de D. Miguel.

Da Av. Paulo VI parte-se em direcção à única mina de sal-gema do país. Três quilómetros adiante a placa indica: Avistam-se os tanques de água — luminosos e esmeradamente quadriculados, de onde surgirá o sal — encaixados num extenso vale no sopé da Serra dos Candeeiros. Surpreendem as casas em madeira, suportadas por troncos de azinheiras, alinhadas ao longo de uma única rua que ladeia as salinas. Chamadas casas do sal, serviam para arrecadar o produto e os utensílios do trabalho.

O lugar convida ao repouso, e não faltam sítios para refeiçoar ou apenas descansar junto aos tanques. O mar chegou aqui, há muitos milhões de anos, deixando uma jazida que alimenta o poço de onde se extrai a água com cloreto de sódio. Aqui já é Parque Natural das Serras d’Aire e Candeeiros. Passada a aldeia dos salineiros, a Fonte da Bica, uma paisagem mesclada de oliveiras, rochedo e tojo acompanha a subida para o Alto da Serra, onde o Parque mantém duas casas de abrigo. Em Alcobertas visitem-se os Potes dos Mouros, seguindo o placa indicativa. São dezenas de silos, para guardar cereais. E logo à saída o Olho D’Água — uma nascente com levada de água e parque de merendas.

Em Vale Ventos há mais duas casas de abrigo do Parque. Aqui a serra é mais ríspida, está esventrada por pedreiras. E, à saída de Arrimal, goze o espelho de água das lagoas Grande e Pequena. Depois é a Bezerra, com uma gargalhada profunda que se abre num vale. Sobe-se ao pico do esporão serrano, é Chão de Pias, e ao fundo Porto de Mós. Descendo por 5. Bento, em Telhados Grandes compensa a ida às Grutas de Alvados.

Desce-se para Minde — merecem atenção os campos de lapiaz, alagados na época das chuvas. Em Minde há mais grutas a merecerem exploração, as de Mira d’Aire.


Texto retirado de Guia da Semana - Expresso, nº2 (Norte)

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