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Os megalitos de Évora

      Há cerca de sete mil anos floresceu na Península Ibérica uma civilização primitiva da qual subsistem como principal testemunho grandes monumentos em pedra, ligados a ritos funerários ou cultos diversos (nomeadamente de fertilidade). Muito embora esta civilização megalítica tenha deixado marcas noutros pontos do pais (como Castro Laboreiro, Montalegre, Viseu, Tomar, etc.), a mais expressiva e bem conservada concentração ocorre na zona do Alentejo situada entre Elvas, Ëvora e Reguengos. Um fim-de-semana em Évora permite juntar à descoberta da cidade-museu, classificada pela UNESCO como Património da Humanidade, um passeio pelos megalitos da zona envolvente. O conjunto mais conhecido, e também mais facilmente acessível, situa-se nos Almendres, a 10 km da cidade pela ENI 14 (que faz a ligação ao nó da auto-estrada e a Montemor-o-Novo). O acesso, em tempos problemático, está hoje alcatroado, devendo o visitante sair da estrada nacional para sul e virar para a aldeia de Guadalupe, seguindo a partir daí as indicações para o cromeleque. Umas centenas de metros antes de lá chegar, não perca do lado esquerdo, junto aos edifícios do monte homónimo, o grande menir dos Almendres.
      De dimensões avantajadas, ergue-se vertical no meio do montado de sobro, desafiando os séculos.
      O cromeleque propriamente dito surge um pouco adiante e, pela diversidade e número dos menires que agrupa — nada menos de uma centena — é considerado o mais importante da Península Ibérica e um dos mais significativos da Europa (apenas encontrando paralelo no conjunto de Karnak, na Bretanha). Alguns dos menires apresentam desenhos, nalguns casos com repetição de formas semelhantes a báculos, noutros com composições aparentemente alusivas ao sol. Não muito longe, na direcção da aldeia de Valverde (regresse a Guadalupe e ai apanhe a estrada para a referida aldeia), fica a Anta Grande do Zambujeiro, outra imponente construção megalítica com uma câmara subterrânea de seis metros de diâmetro e túnel subterrâneo de acesso. A gigantesca laje que a cobria jaz fracturada nas imediações. A mamoa, ou seja, o monte de terra que cobria o monumento, tinha 50 metros de diâmetro.
      Este passeio pelos megalitos de Ëvora não ficaria completo sem a visita às Grutas do Escoural. Para isso, a partir da aldeia de Valverde, tome a estrada secundária para São Brissos e que posteriormente entroncará na EN370 (Évora­Alcáçovas), o que tem a vantagem de o levar a passear junto a uma estranha construção: uma anta cristianizada que serve de suporte a uma capela. As gravuras rupestres da vizinha gruta do Escoural, classificada como monumento nacional, remontam ao paleolítico superior.


Texto retirado de  Guia da Semana - Expresso, nº3 (Norte)

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