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Da Freita à Misarela

      ESTE passeio desenrola-se numa das regiões portuguesas mais mal servidas do ponto de vista das estradas, a zona entre Vale de Cambra e Arouca. Mas o esforço de rodar em pisos degradados e traçados sinuosos tem como recompensa as magnificas paisagens da Serra da Freita. Esta Serra faz parte do maciço da Gralheira, correndo de nordeste para sueste, e é limitada a norte pelo vale do Arda (afluente do Douro) e a sul pelo da ribeira de Teixeira, afluente do Vouga. A rocha dominante é o granito, e daí as paisagens agrestes, a fazer lembrar a Serra da Estrela. Nos locais onde se dá a transição para outros solos surgem os grandes pontos de interesse deste percurso: Um quilómetro e meio depois de passar Santa Cruz corte à esquerda para ver a barragem Engenheiro Duarte Pacheco. Regresse à estrada anterior e, cerca de 3 km adiante, encontrará as indicações para subir à esquerda na direcção da Serra da Freita. A partir daqui o caminho está bem sinalizado, bastando prestar atenção aos cruzamentos. Ainda mais importante é olhar para a paisagem que muda a cada curva, com sucessivos panoramas sobre a ria de Aveiro e a vizinha Serra do Caramulo.
      Ao longe, se o tempo estiver claro, poderá começar a ver a impressionante queda da Frecha da Misarela. Não deixe de fazer um desvio à esquerda, na direcção da aldeia de Castanheira, para ver um curioso fenómeno geológico: as Pedras Parideiras. O granito apresenta aglomerações de micaxistos negros com o tamanho de uma bola de ténis e que se separam com facilidade devido à erosão. Daí a ilusão de que os penedos estejam a pôr ovos ou a ter filhotes. Nem sempre é fácil apreciar o fenómeno, devido à acção dos coleccionadores de recordações.
      De regresso à estrada principal, siga as indicações «Frecha/Arouca» e não corte para Albergaria da Serra. Chegará ao ponto onde as águas do rio Caima se despenham por um desnível de 70 metros. A transição do granito (mais duro) para o xisto (muito menos resistente à erosão da água) provoca uma violenta descida de nível, gerando uma das maiores quedas de água de Portugal.
      Prossiga o passeio na direcção de Arouca. Espera-o a travessia de um bosque com lagoas e uma longa e sinuosa descida com cerca de 17 km. Arouca situa-se no fundo de um vale verdejante. Não deixe de visitar o convento e de apreciar a respectiva colecção de arte sacra, bem como o requintado cadeiral.
      Lembre-se de que está na capital da vitela e preste-lhe as devidas honras. ldem para o afamado pão-de-ló local. Veja ainda o curioso Memorial do Burgo e suba ao miradouro da Senhora da Mó.


Texto retirado de Guia da Semana - Expresso, nº11 (Norte)

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