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Capa
comprida de burel castanho, cortada em viés, com cabeção
(aletas) envolvendo os ombros e capuz com honras. Nas frentes,
ateias, capuz, honras e abertura atrás, aplicação de saragoça
preta, recortada e pespontada (picados), formando motivos
vegetalistas estilizados, enriquecidos com aplicação de froco.
A capa
de honras é a peça mais sumptuosa do vestuário masculino
português. Veste talar de origem pelo menos medieval, tal como a
sua congénere religiosa capa de asperges, as quais chegaram até
nós quase sem alteração no corte, apenas com variações nos
tecidos e pormenores da decoração. A riqueza e a magnificência
desta peça são devidas à sua amplitude (cinco ou mais varas de
tecido) à beleza, ao requinte e à minúcia dos desenhos
aplicados. Diz o povo mirandês: - Quatro baras de pardo, fraca
capa fáice.
Quando
a decoração era pobre, levava quatro jeiras de trabalho, as mais
ricas chegavam a levar vinte a vinte e seis jeiras, dependendo
de quanto o proprietário podia gastar. Não admira, por isso, que
todo o mirandês ambicionasse possuir um exemplar destes,
alcançando assim um lugar de destaque na sua comunidade.
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