|
As formas de trajar sempre tiveram
uma importância vital na identificação social, cultural e
profissional dos povos.
Antes
de se chegar à "standartização" dos nossos dias, em que quase
toda a gente veste o mesmo tipo de roupa, existia a
possibilidade de se conhecerem inúmeras características de uma
pessoa pelo trajo que esta envergava. Hoje em dia, embora essa
possibilidade ainda se verifique em algumas situações, é muito
mais difícil de se conseguir.
Nas
classes mais endinheiradas havia grandes preocupações quanto à
sumptuosidade e riqueza das roupas.
|
|
As
várias modas que foram surgindo ao longo dos tempos, com maior
ou menor ostentação e riqueza, mais ou menos vistosas,
espelhavam, sobretudo nas classes altas, a própria evolução
social e cultural. E sublinhavam também a maior (ou menor)
abastança dos próprios países. Por outro lado lado, há que levar
em linha de conta a protecção do corpo contra as alterações
climatéricas e ambientais. Terá sido mesmo essa a primeira
preocupação do Homem quando começou a cobrir o seu corpo.
As
várias alterações estéticas que os homens impuseram nas suas
formas de trajar, essas sim, variavam já consoante a sua própria
cultura, o que influenciava os gostos e os costumes.
Ressalta pois que da preocupação puramente protectora, o
vestuário foi assumindo carácter de diferenciação social e
económica e, obrigatoriamente, cultural.
Em
Portugal não se pode afirmar que tenha havido grandes diferenças
em relação aos restantes países da Europa. Contudo há (e houve)
aspectos identificadores de cada país e dentro deste de cada
região. Outra vez a cultura e o clima de mãos dadas na definição
de modas, costumes e hábitos de trajar.
Na zona
da capital portuguesa, os "campónios" têm uma denominação
própria, são os saloios.
E
podemos afirmar que foi possível, durante muitos anos,
distinguir um saloio (rural) de um citadino, através da roupa
que envergava.
Não é,
decerto, o único traço distintivo destas gentes, mas é,
obviamente, aquele que primeiro se nota. Sem se poder distinguir
um trajo propriamente saloio, é, no entanto, possível afirmar um
conjunto de características que definem a roupa que o saloio
mais comummente enverga, que a chamada domingueira - ou de "ir
ver a Deus" -, quer a outra que usa diariamente na sua labuta
camponesa.

|