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(Continuação...)
O traje de cerimónia era concebido para ocasiões de grandes
festividades familiares ou colectivas.
Quer se destinasse para o casamento dos filhos, quer para vestir o
«juiz» ou «mordomo», depositário de confiança da comunidade e seu
representante nas festas colectivas, era o prestígio de uma «casa», que
se punha à prova dos olhares avaliadores de povoação. O prestígio
alcançado por essa família ultrapassava-a e tornava-a extensivo a toda a
comunidade. Era um factor de coesão.
Nestas circunstâncias, ao contrário do habitual, a opinião pública exige
que se gaste, que «arda a casa» nem que seja à custa da penhora ou da
venda do património familiar. O traje, símbolo visual destes valores,
feito para durar num «tempo longo», fruto de tamanho investimento
afectivo e económico, passava também a ser património. Havia de
acompanhar o indivíduo pela vida fora, cuidadosamente guardado e dobrado
do avesso. Saindo da «caixa», noutras festas ou em momentos solenes como
aquele que escolhemos para esta exposição: a vinda à cidade para tirar o
retrato que se enviava aos familiares quando a ausência era já longa.
Sempre que se usasse, despertaria memórias, mas a principal referência,
seria a do momento para que fora concebido…
Uns eram enterrados vestindo os seus proprietários, outros eram
repartidos pelos que ficavam.
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