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Chegara a
altura de pagar as promessas aos Santos mais devotos... Para um bom
bocado de milho, para um bom parto, para uma mesa farta, todos os
desejos tinham de ser pagos depois de uma longa caminhada até ao
santuário ou igreja, e de diferentes formas se cumpria o prometido. Era
assim que se faziam as Romarias.
Com os seus melhores trajos domingueiros preparavam-se as famílias para
uma longa caminhada. As mulheres levavam o farnel dentro de um
cesto à cabeça, pois as mãos tinham de estar livres para levarem as
crianças; também as filhas mais velhas levavam um cesto, sempre com um
bonito pano de linho ou algodão, de bainhas abertas, franjado e/ou
rendado. Outras levavam à cabeça grandes fogaças que ofereciam ao Santo
como promessa, onde se podia encontrar grandes caçoilas de chanfana,
arroz doce, coscorões, aguardente, mel, enchidos, broas de milho e
alguma fruta. Geralmente ainda levavam um xaile ou uma capa para se
agasalharem da orvalhada e do frio matinal. Os homens envergavam
uma casaca ou casaco (para o frio) e uma faixa de ponta caída. Levavam
sempre uma concertina ou harmónio para alegrar a caminhada e a romaria.
Outros levavam um varapau, servindo este de apoio.
Durante as caminhadas, pelos carreiros das serras que atravessavam,
ia-se comendo o farnel, ria-se, cantava-se, tocava-se e bailava-se, tudo
numa harmoniosa animação, esquecendo assim o cansaço.
Ao chegar ao Santuário, era hora de cumprir as promessas... Depois, era
hora do "mastigo" e de "bubere" uma boa pinga, que muitos andavam a "bendere".
No final cantava-se à desgarrada e, ao som da concertina ou da guitarra,
viam-se os que melhor sabiam bailar e cantar. Era também nestas alturas
que, entre modas e cantigas, se arranjavam namoricos, que por vezes era
desagrado para alguns rapazes, cujas raparigas já estavam debaixo
d'olho. Era então que se davam as desordens, servindo para isso os
varapaus que os homens levavam de casa. |