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"CAPA DE HONRAS" Mirandesa é uma
peça de artesanato mui "SUI GENERIS" do planalto Mirandês, que tem por
finalidade proteger os "boieiros" (guardadores de vacas) e pastores de
todas as intempéries nos meses mais rígidos, nomeadamente no Inverno.
Como é uma das
peças de artesanato mais ilustres do planalto Mirandês, como é óbvio, é
indispensável a sua utilização em qualquer tipo de cerimónias, sejam de
que índole forem.
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É uma peça com
grande valor etnográfico e que requer um trabalho minucioso por parte do
artesão devido à sua grande complexidade.
Em terra de
Miranda diz a sua gente: "Há nove meses de Inverno e três de inferno". O
Clima é áspero e variável, a paisagem agreste, apenas convidativa na
Primavera e em alguns dias de Outono. No resto, tocam-se os extremos do
frio e do calor.
Por isso, o homem
que tem vivido nesta terra criou a sua maneira de vestir para se
defender no trabalho do campo, destes dois extremos.
A sua vida toda
ela de natureza agro-pecuária, levou-o a criar os trajes de certa
maneira austeros, simples e belos, artesanais e domésticos, feitos à
base dos recursos locais, o linho e a lã (Burel).
É, pois, feita de
lã, fiada, urdida, tecida e pisoada (pardo-burel) a capa de honras
Mirandesa.
É uma das peças do trajo popular Português, pesada, a mais imponente e a
mais antiga.
Deve ter origem
na capa de "Asperges" gótica, de raiz medieval de algum mosteiro Leonês.
"Muito ornamentada de lavores nas bandas, gola – carapuça sui generis
e rabicho que, por detrás, pende até meio dela, dando ao todo o aspecto
de capa de asperges eclesiástica medieval, como observa Trindade
Coelho". É parecida com a capa de Burel de Aliste mais rica e mais
solene.
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