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Logo que a criança nasce, põem-se-lhe os cueiros e a fralda da
cintura para baixo, e desta para cima uma camisinha de pano
claro e um casaquinho de flanela branca com mangas (outrora
chamado chembre), de riscado, também com mangas para os
bracinhos andarem quentes; embrulha-se muito bem em lenço de lã.
Na cabeça, um lencinho dobrado de modo que fiquem três pontas,
que tapem melhor as orelhas, e duas fitas ou tranças, atadas ao
alto da cabeça, touca pequena enfeitada de rendas, atada sob o
queixo com fitas, e outra por cima, mais larga, de panos
delicados, também atada com fitas, tudo muito largo. Para as
pernas e pés bastam os panos (fralda e cueiros). |
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Com 4 meses e
mais vestem-lhe calcinhas largas de flanela, curtas, e nos pés
nada (se são pobres) ou meias e botinhas de lã ou de outro pano,
atadas com fitas, camisa de pano cru, camisola de algodão,
colete para segurar as calças, vestidinho de riscado e um babete
(babeiro) de qualquer pano, atado ao pescoço. Até 1 ano é assim
o trajo; dos 2 para os 2 e meio começa a diferençar-se o dos
meninos do das meninas (notas tomadas em Tolosa).
De acordo com informações de alunos da Faculdade de Letras, as
crianças vestiam-se, aí por 1920, mais ou menos como se segue:
a) Até aos 6 meses.
Ligadura de paninho; fralda; cueiro; camisa; casaquinho; vestido
comprido, geralmente enfeitado, que acompanha o cueiro; envolta,
que é uma capa bordada de flanela, com capuz e fita enfiada no
pescoço, para franzir; mandrião, espécie de casaco abotoado nas
costas, de algodão na época quente e de flanela ou lã no Inverno
(põe-se por cima da camisa e só em casa); lencinho, para usar em
casa; touca, para sair, babete ou babeiro; botinhas de malha.
Nos meninos da aldeia a peça luxuosa é a beata
vermelha, bordada num canto com condecorações, figas,
sino-saimão e laçarotes verdes, que é oferecida pelo padrinho.
Neste período os meninos vestem de azul e as meninas de
cor-de-rosa.
b)
Depois dos 6 meses
passam a usar fato curto e diz-se que vestem de curto;
os cueiros são substituídos pelos papagaios, que servem para
segurar a fralda.
c) Dos 2 aos 5 anos: vestidinhos de saias, que hoje estão em
desuso, ou calções e blusas com calções rendilhados, mais
frequentes. Usam já camisola, camisa, ceroulinhas, peúgas,
calções, sapatos ou botas, bonés, chapelinho.
d) Dos 5 por diante, época em que bem se distinguem os sexos
pelo vestuário:
RAPAZES – Roupa branca ou de baixo: camisola, camisa,
colarinho, cuecas ou ceroulas; roupa de cima: blusa; bibe
de trazer por casa; casaco como o dos homens, às vezes
diferente, com pregas à inglesa, em forma de blusa; no Inverno,
sobretudo e capa de borracha; calção, calça curta, meias ou
peúgas, sapatos, botas e sandálias; chapéu de palha, no Verão, e
de feltro ou boné, no Inverno.
RAPARIGAS
- Roupa branca, de baixa: camisa, colete, calças e
combinação; uma ou mais saias com corpinho; roupa de cima:
no Verão: vestidinho de manga curta, em casa um bibe; touca de
cassa ou um chapéu de palha; peúgas; sandálias, sapatos ou
botas; no Inverno: vestido mais pesado; casaco comprido ou
casaquinho de malha e gorro; meias; polainas; de lã; na cabeça
chapéu de feltro ou gorro de malha.
Um adorno
de quase todas as raparigas são os brincos. A respeito deles
colheram-se em Ponte de Barca as seguintes informações: já na
idade de um mês se furam as orelhas. São casos raros os das
raparigas que só tardiamente furam as orelhas; houve uma que o
fez na véspera do casamento. Conhecem-se mulheres que não usam
brincos. Para que as meninas não chorem, as mães vão-nas
entretendo enquanto lhes furam as orelhas; metem no orifício um
fio de retrós até a ferida sarar; só depois se põem os brincos.
Em Melgaço servem-se de uma agulha nova, por estrear, passando-a
por uma brasa viva e molhando-a em azeite. |