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Quando saem para a
rega (para regar o milho) ou outro trabalho, usam o mesmo fato,
apenas arregaçam as saias por causa da humidade, o que elas
chamam ensacar. Na ceifa do centeio ou milho usam um
chapéu de palha atado com as pontas do lenço que trazem na
cabeça.
Para a igreja, principalmente em
dias solenes, o trajo mudo: calçam chinelas pretas com um laço
na parte superior e as mais das vezes são cheias de ramalhetes
de algodão de várias cores; meias de cor, geralmente tecidas por
elas; vestem quatro, cinco, e quantas vezes seis saias brancas
de linho com folhos de morim, com um pequeno bico de croché; por
cima destas um saiote de pano vermelho com duas barras estreitas
de veludo preto, e por cima de tanta saia e saiote vestem a saia
de beata preta, também com barras de veludo, avental do mesmo
tecido com um folho de setim, chambre de cor com guarnições
garridas e lacinhos na frente; três, quatro, cinco e mais fios
de contas, grilhões em enormes medalhas de ouro, onde colocam os
retratos dos seus tones (namorados). Das orelhas pende um
ou dois pares de argolas grandes.
O penteado é com uma poupinha à
frente, muito brilhante devido à banha de porco que elas usam,
caindo sobre a testa caracóis ou cachos, que elas fazem com o
auxílio de um rabo de garfo; lenço na cabeça completamente
variado nas suas cores e cheio de enfeites.
O trajo da feira compõe-se do mesmo
calçado, saia de anil com silvas de lã de diversas cores,
avental do mesmo gosto, algibeira ao lado direito, bordada de
missanga e lãs, com o nome de pessoa, onde se vê um lenço
branco, marcado com algodão vermelho, tendo nos quatro cantos
dizeres engraçados e curiosos; ao meio do lenço sobressaem
certos enfeites, que em geral são: um coração, um amor, um
cravo, etc.; colete vermelho guarnecido de sotage e
missanga; uma camisa alvíssima de linho com punhos ramalhados de
vermelho ou azul; um lenço franqueiro na cabeça; muito
ouro. A propósito de ouro costumam dizer: «Para a missa o que
puderdes, para a feira quanto tiverdes.» N mão esquerda usam
muitos anéis de prata, naturalmente para indicarem o seu estado
de solteiras.
Quando é ocasião de luto ou dó
vestem-se de preto, cobrem as argolas com pano da mesma cor e
deitam uma saia pela cabeça.
Se os maridos se ausentarem por
muito tempo, para o estrangeiro, principalmente para o Brasil,
também usam o mesmo vestuário triste.
Os homens, no seu trajo mais
simples, usam nos dois dias de trabalho calças de linho, não
trazem casaco, ou, se trazem, é esfarrapado, servindo o próprio
forro remendado; na cabeça põem uma carapuça ou chapéu
esfuracado.
Para a feira levam calças brancas,
se é no Verão, e no Inverno outras quaisquer; faixa azul ou
vermelha em volta da cinta, colete de pele de coelho ou lebre;
corrente de prata com peças antigas, anéis e os retratos das
tónias; casaco preto, chapéu castanho; sapatos de couro
branco com a biqueira voltada para cima, ou então tamancos de
couro preto com biqueiras amarelas. |