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(Continuação...)
O fato que usa as pessoas bem
remediadas pouco diverge daquele acabado de descrever. A
fazenda, o feitio e a cor são idênticos, mas, claro, com menos
manchas e remendos. O chapéu é também preto, de abas pequenas e
flexíveis. A camisa é de linho, também com o colar curto e
franco; é levemente engomada. Como os homens remediados não se
empregam em trabalhos tão rudes, é raro verem-se com «as calças
ao fundo da barriga», como aqui se diz. Durante a semana usam
calçado grosseiro, semelhante ao dos campónios, mas aos
domingos, dias santos, festas, casamentos, baptizados, etc.,
põem botas pretas.
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Nesses dias festivos o fato é preto; este
fato preto dura muitos anos e às vezes a vida inteira, pois é o
do casamento e aquele que o cadáver leva para a sepultura.
Alguns usam uma sinta- tira de pano de lã, com a largura de
palmo e meio, com a qual dão dez ou doze voltas à cintura. As
pessoas que usam cinta servem-se dela como agasalho e algibeira,
onde metem o lenço, a carteira, etc.
De Inverno usam capas semelhantes às
capas académicas.
Temos por último o trajo dos
«ricos». Desta classe direi apenas que os seus trajos são como
os dos janotas alfacinhas: calça larga ou estreita, segundo as
exigências da moda, casaco comprido ou curto, com uma abertura
ou duas atrás, ou sem nenhuma, colar e gravata da mais flagrante
actualidade, chapéu fino e flexível e calçado de última moda.
Os remediados e os ricos usam
relógio, ao qual ligam lindos e valiosos cordões de ouro ou
correntes do mesmo metal, artisticamente acabadas, donde pende
sempre uma medalha com o retrato de um antepassado ou da
namorada, uma moeda de ouro ou prata, de valor real ou
estimativo, uma figa e outros objectos encastoados em ouro.
De inverno usam varinos, capotes ou
capas como as dos toureiros.
A mulher do campo, a pobrezinha, usa
saias e casacos largos e sapatos grosseiros, embora não tanto
como os do marido. Não usa meias. Como o clima é frio, a mulher
pobre, trabalhadora, usa três e quatro saias, o que a torna
muito volumosa e a faz lembrar a antiga saia de balão. As blusas
ou «chambres» são simples, lisos e cómodos.
O penteado é em tranças, adaptado
sempre à forma da cabeça. Cobrem-no com um lenço, que varia de
cor, segundo a idade e o estado, casadas, solteiras ou viúvas. O
feitio do fato também varia conforme as idades e o estado: sendo
casadas, velhas ou viúvas usam sempre chambre liso; as solteiras
usam uma cor mais viva e alegre, umas pregas, uns folhos ou um
papo. Todas usam xale de ponta, com o qual ocultam quase toda a
parte posterior do corpo e agasalham, na frente, os braços, as
mãos e o tronco. Em dias de semana, não trazem ao pescoço
nenhuns objectos, mas aos domingos, dias santos e festas, por
mais pobres que sejam estas mulheres, em especial as solteiras,
trazem ao peito um cordão ou fio de ouro, um trancelim ou cruz
do mesmo metal, pendente de uma fita de seda, ou medalha fixa ou
solta, etc.
As mulheres bem remediadas vestem
com mais elegância. Todas elas sabem, mais ou menos, trabalhar
de costura: por isso fazem os seus próprios fatos. Não se servem
de figurinos, nem seguem a moda pormenorizadamente, mas
assemelham-se ao que se usa mais. Estas mulheres bem remediadas
não usam fazendas felpudas, e os feitios representam já uma
transição para o fino, usado pelas senhoras ricas.
As mulheres pobres preferem as cores
escuras, em especial as que já passaram a idade moça. As bem
remediadas adoptam de preferência a cor azul-celeste ou branca,
a cor-de-rosa, e a encarnada; se o casaco é branco, certo é ser
a saia encarnada; se a saia é preta, a blusa é escura; se a saia
é cor-de-rosa, a blusa será preta; se a saia é de cor azul, a
blusa será de cor clara.
O calçado é fino, geralmente preto.
No Verão preferem sapatos, e no Inverno botas, mas nunca muito
altas.
Usam lenços de seda, de cor que case
bem com a das restantes peças do fato.
O xale é traçado e não de ponta como
o das mulheres pobres.
Ao peito, objectos tão variados de
ouro que fazem lembrar uma ourivesaria ambulante, onde se
encontram o travessão, o trancelim, o cordão, o fio, os
amuletos, as medalhas, etc.
A senhora rica, de alta-roda,
assemelha-se ao figurino, mas sem o exagero e escândalo
alfacinha. |