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Como o clima de Penamacor, durante o
Inverno, é muito áspero e a estação dos frios e chuvas ocupa
mais da metade do ano, os campónios, ao comprarem os seus fatos,
escolhem sempre fazenda forte e quente e de cor de mel, que é a
que mais se adapta aos inconvenientes do trabalho.
Do alfaiate exigem pouco, apenas
«forte e franco».
Usam botas de bezerro, raramente
sapatos, fitas para resistir e durar, e para agasalho, com duas
solas por baixo, convenientemente brochadas e com canos que vão
até um pouco abaixo do joelho.
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As calças são largas, tanto na
cintura como nas pernas; o casaco (ou jaqueta ou vestia) e o
colete têm o comprimento normal e a largura suficiente para
deixar livres os movimentos dos braços do tronco. A camisa
sempre alvíssima tem colar curto e franco para não impedir o
livre movimento do pescoço. O chapéu, sempre preto, é rude,
grosseiro, de abas largas e um pouco erguidas e de uma espessura
razoável. A largura e a espessura deste, relativamente
consideráveis, preservam bem, pelo menos o rosto, da chuva e dos
ardores do Sol.
Como o campónio não usa
suspensórios, ou alças como se lhe chama aqui, sucede que as
calças lhe caem abaixo um pouco do ponto normal, o que faz que a
camisa saia um pouco e o ventre se torne algo saliente. Os fatos
são sempre de cor parda, confundível com a cor do pó da terra
arenosa, e a fazenda mais usualmente empregada é a «saragosa
pelota».
Usam também uma camisola geralmente
de cor encarnada e de fazenda felpuda para mais facilmente
resistir ao rigor dos frios da estação invernosa. Tem esta o
cumprimento e o feitio dum casaco; abotoada geralmente ao lado e
tem um bolso postiço (chama-se-lhe assim porque é posto por
fora), onde o campónio costuma meter os apetrechos de fumar –
tabaco, petiscos, pederneira, isca ou fusil. Servem-se de um
lenço, chamado de Alcobaça ou tabaqueiro, o qual metem de
preferência na copa do chapéu, durante o Inverno, e entre a
camisa e o peito, quando de Verão.
O trajo de Inverno pouco diverge do
de Verão, porque como o povo diz, «o que tira o frio também tira
o calor». Quando muito, deixam o casaco em casa e saem com
camisola, sempre encarnada, para os seus trabalhos agrícolas.
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