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"Temos obrigação de salvar tudo aquilo que ainda é susceptível de ser salvo, para que os nossos netos, embora vivendo num Portugal diferente do nosso, se conservem tão Portugueses como nós e capazes de manter as suas raízes culturais mergulhadas na herança social que o passado nos legou."  (Jorge Dias)
 
 
 
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  Peças do vestuário - Mantilha

Capa com capuz, ou «crapucha», que usam as mulheres no Jarmelo (Beira), sobretudo em enterros; creio que é o mesmo que capucha; usada por uma noiva, à volta de 1880, na Rapa: espécie de capa de pano preto, guarnecida de veludo, mas sem coca [côca], posta pelo ombro, e de que há exemplares ainda em 1918; de coca, também no Ervedal. Em Celorico da Beira, ainda por 1870, as senhoras e as mulheres do povo mas assenhoradas usavam mantilhas para ir à missa, à confissão, a visitas, mas sobretudo à igreja. Era uma capa de pano preto que cobria o corpo todo até aos pés, e tinha em cima uma coca de papelão, a qual podia ser de duas formas: arqueada e bicuda. A mantilha arqueada chama-se de arco, e a bicuda, de bico. Parece que as de bico são de origem anterior.

Usavam indiferentemente uma e outra. Envolviam o corpo todo, porém não tinham colchetes nem botões, fechavam-nas com a mão adiante.

Muito parecido com este é o trajo de missa no Fratel, aldeia do concelho de Vila Velha de Ródão. Usam a mantilha, que chega só até às ancas, com saia preta, blusa preta, meias e sapatos igualmente pretos. Só se usa a coca de arco. Ainda é usada em 1968 pelas mulheres mais velhas (para cima de quarenta anos) e tanto quanto se sabe tem-se usado só para ir à missa. As fotografias [ver ao lado] foram obtidas junto da Capela do Espírito Santo, no Fratel, em Agosto de 1944. No Mação usam, segundo Alberto Pimentel, capucho e mantilha (estes como os do Fratel).


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Informações retiradas de "ETNOGRAFIA PORTUGUESA" - Livro III - José Leite de Vasconcelos


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