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Trajo dos homens no trabalho do campo:
a) De
Verão (ceifa ou aceifa, eiras ou debulha,
esborralhar as vinhas, isto é cavar de novo para tirar as
ervas): chapéu de pano (nunca se usa por aqui chapéu de
palha), e um lenço ao bescoço por mando suor (por
amor do suor), camisa e camisola de riscado (sem colete,
nem vestia, nem cinta: quando voltam para casa, põem a vestia ao
ombro, e a ferramenta em cima); ceroulas e calças, peúgos e
sapatos grossos. A murça da camisola é às vezes bordada de cor
(azul e vermelho); a camisola abre adiante e tem botões: outras
vezes tem só botões na murça, atando-se com um nó nas pontas em
baiso.
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Na ceifa, canudos em três dedos e dedeira
no dedo grande («polegar») e no índex – da mão
esquerda. Na ceifa usam também uma alzubêra de veludo
vermelho, às vezes muito ornada: trazem-na, atada à cinta com
fitas, do avesso para não se desbotoar; anda nela o tabaco e os
apetrechos de fumar (talisguinha de veludo com o fuzil,
isca, pederneira; ou a fuzileira, que é um saquinho de
couro com três divisões, para os três apetrechos). Quando se vão
embora, metem também na algibeira as dedeiras e os canudos. Na
hora da comida enfiam os canudos no bico das foices e atam as
dedeiras ao cabo do mesmo instrumento (Vidigueira).
b) De
Inverno (cavar, passar terra, isto é, cavar muito fundo
para vinha, etc., podar, charruar, lavrar, atalhar, isto
é, cortar as terras novamente, etc.): na cabeça, gorro (carapuça
ou barrete saloio) sempre preto por fora e pinhão por dentro;
samarro [com aldrabonas (de dragonas?)] sobre os ombros e
abertos debaixo dos braços; fecha em cima com botões de couro,
aberto na frente, cortado ao meio do abdómen com uma aba larga
caída até à curvatura dos joelhos (casaca de abas largas!) por
baixo, camisola, colete sob esta, camisa, calças de Saragoça
forte, ceroulas e acefões encorreados em volta da lã,
sapatos grossos ou botas, que podem ser caneleiras (até
ao meio da perna) ou joelheiras (até ao joelho). |