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Os estudantes do liceu trajam ainda a teológica batina. É um
resto dos costumes de outrora, em que o ensino era mais
eclesiástico de que leigo. O mesmo se observa noutros liceus,
como, por exemplo, no da Guarda. Por várias vezes se tem
debatido na imprensa se convém ou não que os estudantes tenham
uniforme. Os rapazes influem-se principalmente com isto por um
bocado de vaidade de se destacarem dos futricas. Aqui há
uns meses os estudantes passam pelo cómico de pedirem ou
tentarem pedir ao Governo que lhes desse a batina dos estudantes
de Coimbra! |
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Ora a batina em Coimbra tem uma certa significação,
porque representa antigas tradições, embora se vá de tal modo já
secularizado, que, com o tempo, tem perdido uma parte do seu
comprimento e está hoje reduzida a um casaco. No Porto, porém,
não há esta tradição. A escola de Medicina, de que me honro de
ser filho, teve uma origem muito diversa da Universidade;
portanto, a implantação da batina nela parece-me um anacronismo,
que só posso explicar pelo hábito que todos têm de imitar o que
é dos mais. Se querem um uniforme, escolham outro; ainda que eu
acho isto uma coisa secundária, sem essa grande vantagem que lhe
apregoam, e entendo que a principal distinção do estudante é a
sua aplicação e o seu saber. |