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Os habitantes do Alentejo têm um trajo característico: além das
célebres mantas alentejanas, tão antigas que já Gil
Vicente fala delas, e que eles trazem, ora cobertos, ora
traçadas ao ombro, o que lhes dá um aspecto pitoresco de
cabreiros, usam jaqueta, cinta (na Beira Alta, faixa),
não raro vermelha, a apertar-lhes as calças, e chapéu de pano,
desabado, às vezes com uma fita de cor, e uma grande borla preta
à esquerda, no bordo da aba. Como andam frequentemente a cavalo,
a jaqueta facilita-lhes os movimentos, e a cinta ampara-lhes um
pouco o tronco. |
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O cajado e a cachêra são bordões
curiosos de que os Alentejanos se servem. O primeiro tem uma
curva à maneira de báculo ou de lítuo romano, por meio da qual o
cajado é enfiado no braço, e com ele se apanha a perna de uma
rês que foge; tudo isto é o mais tosco possível. Os cajados
vendiam-se na feira a 20 rs. cada um, em grandes molhadas. Numa
feira de Badajoz vi objectos semelhantes, embora um pouco mais
apurados; o uso é pois comum à Estremadura Espanhola e ao
Alentejo. A cachêra, que na Beira Alta tem um nome
característico que não posso indicar, é um pau também tosco com
uma proeminência no fundo; serve para atirar aos bois e
bater-lhes. Tanto o cajado como a cachêra são
principalmente usados pelos pastores e pelos abegões. Os
cavaleiros usam uns varapaus com uma correia, que se segura no
braço. |