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O alentejano da minha terra, ao
contrário de que sucede em outras regiões de Portugal, não
prescinde das ceroulas de pano cru e das meias grosseiras, de
cores vivas, feitas em casa, por mãos de velhas nos serões de
Inverno e nas tardes estivais. Veste ordinariamente calça de
casimira grosseira, que se ajusta inferiormente à perna e se
chama por tal motivo calça de boca de sino. Por sobre a
camisa ornada de colarinho mole, mas sem gravata, usa o colete
quase sempre desabotoado. Quando o tempo é quente a roupa de
cima não vai além das peças já iniciadas, sucedendo usar-se às
vezes a jaleca ao ombro. Quando o tempo, ao contrário, é frio,
veste a sua jaqueta ou jaleca, talhada sempre
curta e ajustando-se ao corpo de uma maneira apertada. |
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As golas de atraçã, os vivos ou debrunas
de fita preta, as alamares de prata – tudo isto hoje está em
desuso já, e apenas se conhece de memória e de tradição. O
calçado é quase sempre branco – botas e sapatos. Só
domingueiramente se usa o calçado engraxado. A bota
alta de montar e apolaina empregam-se apenas quando as
necessidades rústicas o exigem. O chapéu usado é o chapéu
braguês de aba comprida e larga, chapéu de enormes proporções,
que antigamente possuía como ornamentos grandes borlas pretas,
hoje desusadas também. O tipo do capote alentejano é conhecido.
Só com a gravura respectiva o poderia descreves competentemente.
Os safões ou ceifões de pele de chibo
comprados nas feiras usam-se apenas quando as necessidades da
vida agrícola aconselham a sua convivência.
O tipo do vestuário feminino está-se
incaracterizado também. As saias de cima, quase sempre de cores
vivas, têm comummente muita roda e usam-se sempre compridas. A
mulher da minha terra não sofre como a mulher de Nisa, põe
exemplo, a moda da saia curta. As blusas ou roupinhas duma
simplicidade extrema, ajustando-se ao corpo e deixando
conjecturar toda a plástica do busto. Quase sempre se usa o
lenço na cabeça, ora atado com um nó sob o queixo ora atado com
um nó também no alto da cabeça. Este lenço da cabeça e às vezes
um lenço de malha próprio usam-se no busto, caindo em pontas
sobre as costas e abrindo em decote sobre o peito. A mulher da
minha terra nunca anda sem meias ou sem sapatos. O xaile, grande
xaile de merino, é peça de roupa indispensável. Pode usar-se
dobrado em bico ou em ar de manta. Este último processo é
considerado um processo fino de usar o xaile. Hoje já se vêem
mantilhas; muito raramente também se vê o bioco. Este é
caracteristicamente regional, penso eu. É uma espécie de capa de
um tecido preto, deixando cair à frente sobre a cabeça e o rosto
um véu de tecido preto por igual e transparente. Era dantes
muito usado nos domingos e dias de festa. Foi peça de roupa
imprescindível num bragal completo e trajava-se quando ia à
missa. Hoje, como o culto católico está muito em decadência,
como quase ninguém vai à missa e as igrejas estão fechadas, o
bioco só muito raramente se vê em mulheres de certa idade,
que ainda se conservam fiéis ao cumprimento dos preceitos
religiosos tradicionais com que foram criadas. |