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"Temos obrigação de salvar tudo aquilo que ainda é susceptível de ser salvo, para que os nossos netos, embora vivendo num Portugal diferente do nosso, se conservem tão Portugueses como nós e capazes de manter as suas raízes culturais mergulhadas na herança social que o passado nos legou."  (Jorge Dias)
 
 
 
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Pub Trajos do Alentejo  
  Evolução do trajo e do penteado (camponeses, lavradores e artífices e as suas famílias)

(Continuação...)

O que todas as nisenses ainda usam são os xailes de diferentes cores, desde o preto nas missas e enterros até aos mais garridos e finos de lã de seda, aparecendo mesmo caríssimos manteaux Manilla, importados do país vizinho.

O penteado também se modificou muito. As nossas patrícias de há mais de cinquenta anos usavam o cabelo apartado ao meio e atado atrás em forma de martelo, sendo a trança de 4 ou 5 pernas. Enfeitada com fitas de várias cores. Outras vezes, formavam duas pequenas tranças que iam dos temporais ao martelo, chamando-se este penteado cabelo de arrepio.

Há trinta anos predominava a Cristina ou poupa (como também lhe chamavam), que era formada pela trança enrolada em espiral no alto da cabeça. Colocavam com certo donaire um lenço de lã ou de seda sobre o penteado, de modo que, atado por um nó sobre o martelo, as pontas vinham cair graciosamente sobre a nuca.

Hoje, as saias de castorina vão rareando; as roupinhas foram substituídas por inestéticas blusas; o lenço do pescoço tende a desaparecer e o martelo só se vê em alguma velhota de outros tempos.

Os homens usavam as calças de alçapão, isto é um calção de Saragoça ou veludo, conforme os haveres, com duas aberturas dos lados, nos sítios onde hoje usamos os bolsos. Ao calção segura-se a polaina, da mesma fazenda, e sob ela os canudos, uma espécie de meia de linho ou estopa, mas sem pés. Não se lhes podia chamar ceroulas de nastro, porque já então usavam cuecas de linho, estopa ou estopinha. A camisa era também de linho caseiro, com bordados no peitilho e nas mangas, tendo estas ainda pregas corridas (talvez a origem do moderno plissado) nos ombros e nos punhos. Colarinhos altos, também bordados, e botões de ouro com corrente, semelhantes aos que usam hoje os lavradores do Ribatejo. Em volta do colarinho um lenço de seda. Sobre a camisa vestiam, nos dias festivos, um colete de seda ou veludo, de que se vêem ainda hoje com frequência, principalmente no Carnaval, lindíssimos modelos. Mas o mais interessante deste pitoresco conjunto era a célebre jaqueta de pífaro, em geral de Saragoça, sem gola ou com uma gola muito reduzida, como as das capas académicas, e com as bandas de baixo para cima, completamente reviradas e presas por botões forrados de tecido da jaqueta.

Nos casamentos de lavradores e festas de maior solenidade era de rigor a casaca e chapéu alto. Defendiam-se das inclemências do Inverno com capas rodadas de pano azul, uma espécie de capa à espanhola, com bandas de outro tecido. Os camponeses, em vez de capa, traziam, e ainda hoje usam, gabões de burel. Costumavam lançar, com o braço direito, a parte respectiva do gabão sobre o ombro esquerdo, resguardando assim o rosto das intempéries.

Durante muito tempo, lavradores e camponeses usaram chapéus de borla e alguns um gorro preto de lã, chamado carapuça.

Como os chamorros de D. João I, os Nisenses nunca tiveram, noutros tempos, cuidados de penteado. Já o mesmo hoje não pode afirmar-se, pois a todo o instante se nos deparam autênticos papos-secos.

Todas estas evoluções do trajo e do penteado dizem respeito apenas à parte da população constituída por camponeses, lavradores e artífices e as suas famílias; na outra, formada pelo elemento burocrático e pelos mais abastados proprietários, a moda tem ditado sempre as suas leis, que, como em toda a parte, são cumpridas a rigor e, às vezes, com exagero.

Estudo elaborado pelo professor primário José Francisco Figueiredo, Nisa


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Informações retiradas de "ETNOGRAFIA PORTUGUESA" - Livro III - José Leite de Vasconcelos
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