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Há trinta anos predominava a
Cristina ou poupa (como também lhe chamavam), que era
formada pela trança enrolada em espiral no alto da cabeça.
Colocavam com certo donaire um lenço de lã ou de seda sobre o
penteado, de modo que, atado por um nó sobre o martelo,
as pontas vinham cair graciosamente sobre a nuca.
Hoje, as saias de castorina vão
rareando; as roupinhas foram substituídas por inestéticas
blusas; o lenço do pescoço tende a desaparecer e o martelo
só se vê em alguma velhota de outros tempos.
Os homens usavam as calças de
alçapão, isto é um calção de Saragoça ou veludo, conforme os
haveres, com duas aberturas dos lados, nos sítios onde hoje
usamos os bolsos. Ao calção segura-se a polaina, da mesma
fazenda, e sob ela os canudos, uma espécie de meia de linho ou
estopa, mas sem pés. Não se lhes podia chamar ceroulas de nastro,
porque já então usavam cuecas de linho, estopa ou estopinha. A
camisa era também de linho caseiro, com bordados no peitilho e
nas mangas, tendo estas ainda pregas corridas (talvez a
origem do moderno plissado) nos ombros e nos punhos. Colarinhos
altos, também bordados, e botões de ouro com corrente,
semelhantes aos que usam hoje os lavradores do Ribatejo. Em
volta do colarinho um lenço de seda. Sobre a camisa vestiam, nos
dias festivos, um colete de seda ou veludo, de que se vêem ainda
hoje com frequência, principalmente no Carnaval, lindíssimos
modelos. Mas o mais interessante deste pitoresco conjunto era a
célebre jaqueta de pífaro, em geral de Saragoça, sem gola
ou com uma gola muito reduzida, como as das capas académicas, e
com as bandas de baixo para cima, completamente reviradas e
presas por botões forrados de tecido da jaqueta.
Nos casamentos de lavradores e
festas de maior solenidade era de rigor a casaca e chapéu alto.
Defendiam-se das inclemências do Inverno com capas rodadas
de pano azul, uma espécie de capa à espanhola, com bandas de
outro tecido. Os camponeses, em vez de capa, traziam, e ainda
hoje usam, gabões de burel. Costumavam lançar, com o braço
direito, a parte respectiva do gabão sobre o ombro esquerdo,
resguardando assim o rosto das intempéries.
Durante muito tempo,
lavradores e camponeses usaram chapéus de borla e alguns um
gorro preto de lã, chamado carapuça.
Como os chamorros de D. João I, os
Nisenses nunca tiveram, noutros tempos, cuidados de penteado. Já
o mesmo hoje não pode afirmar-se, pois a todo o instante se nos
deparam autênticos papos-secos.
Todas estas evoluções do trajo e do
penteado dizem respeito apenas à parte da população constituída
por camponeses, lavradores e artífices e as suas famílias; na
outra, formada pelo elemento burocrático e pelos mais abastados
proprietários, a moda tem ditado sempre as suas leis, que, como
em toda a parte, são cumpridas a rigor e, às vezes, com exagero.
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