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"Temos obrigação de salvar tudo aquilo que ainda é susceptível de ser salvo, para que os nossos netos, embora vivendo num Portugal diferente do nosso, se conservem tão Portugueses como nós e capazes de manter as suas raízes culturais mergulhadas na herança social que o passado nos legou."  (Jorge Dias)
 
 
 
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Pub Trajos do Alentejo  
  Evolução do trajo e do penteado (camponeses, lavradores e artífices e as suas famílias)

Em remotos tempos, as mulheres usavam saias de catimbu, fazenda espessa de lã, geralmente em azul-escuro ou castanho, com barra amarela, cor-de-rosa ou encarnada. Estas saias tinham, de ordinário, três panos e eram demasiadamente compridas, passando mais tarde a usar-se poço abaixo do joelho. Por baixo da saia de catimbu, traziam uma de estamenha, tecido de lã e linho; mas esta, em vez de barra, terminava por uma orla formada a pontos de tranca de lã em espiral, distanciados de um centímetro pouco mais ou menos. Usavam ainda, sob a estamenha, saias de beata de seda, uma espécie de flanela de algodão felpuda.

As camisas eram sempre de linho, sendo frequente encontrarem-se algumas em que a parte correspondente ao tronco era de linho, e a inferior de estopa ou estopinha. Nas mangas, que quase todas tinham, e nos ombroe eram bordadas com linha caseira, isto é, com fios de linha adrede preparados.

No peito, sobre a camisa, vestiam um colete de pano encarnado, enfeitado com fitas de cor diferente, e sobre este a roupinha, uma espécie de corpete muito justo e que, conforme se destinava ou não para dias festivos, era confeccionada em seda de várias cores, ou em pano azul de lã. As mangas desta interessante peça de vestuário eram também muito apertadas por meio de pregas longitudinais no braço e antebraço, notando-se apenas uma parte mais larga na região do cotovelo que deu a tais mangas a denominação de mangas de balão.

Sobre a roupinha usavam ainda a capa de bombonete, que era uma capa pequena de tule ou renda bordada a branco com que cobriam apenas os ombros e cujas pontas iam prender-se adiante, sobre o seio, com um alfinete ou uma fita de seda branca. Nos dias de maior solenidade, como casamentos, festa de S.Pedro, etc., as lavradorea vestiam saias de seda, chamadas saias de rua, que, com o desuso, têm sido transformadas, nestes últimos tempos, em lindíssimas colchas.

Com o decorrer dos tempos, as saias de catimbau cederam o lugar às de castorina fina; a roupinha apertada, a outra de mangas largas feitas dos mais variados tecidos, e a capa de bambonete a lindíssimos lenços de pescoço, em lã ou em seda, na maior parte das vezes bordados pelas portadoras.

As saias de castorina ainda hoje se usam, embora arrebicadas de pregas e plissados, e foram elas que, com os lenços do pescoço e a tradicional roupinha, constituíram, por largos anos, o trajo característico e interessantíssimo das donzelas nisenses.

Houve uma época em que o luxo e a ostentação se aferiam pelo número das saias usadas, sendo frequente aparecerem nos bailes raparigas cuja cintura tinha de suportar o peso de doze daquelas incómodas peças de vestuário! Era um martírio, principalmente de Verão! E, como se este peso não fosse bastante para cruciar as pobres moças, ainda o peito e o pescoço tinham de suportar a pressão de várias gargantilhas, cordões, grilhões, cadeias, etc., que algumas ostentavam, como ourivesarias ambulantes, vaidosamente. Servia-lhes de agasalho - e nem de outra forma saíam à rua – numa mantilha roxa, forrada de beata encarnada, na parte que colocavam sobre a cabeça. Mais tarde a mantilha roxa foi substituída por outra de pano preto, com que assistiam às cerimónias religiosas e ocultavam o rosto à indiscrição dos curiosos.

Hoje a mantilha apenas é usada por algumas viúvas mais aferradas à tradição e ainda assim só nos primeiros tempos de viuvez.

Estudo elaborado pelo professor primário José Francisco Figueiredo, Nisa


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Informações retiradas de "ETNOGRAFIA PORTUGUESA" - Livro III - José Leite de Vasconcelos
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