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(continuação...)
«Finalmente, lembraremos que há (ou havia) pregões que se ouviam com
mais frequência neste ou naquele bairro, nesta ou naquela zona. Dependia
do produto vendido, o qual, muito naturalmente, tinha um maior número de
interessados em determinadas partes da capital. Também variam com as
horas do dia e as estações do ano. Melancias e sorvetes, por exemplo,
não eram vendidos no Inverno, e as castanhas, ontem como hoje, aparecem
no Outono, adivinhando o Inverno que se aproxima…» (in Lisboa Antiga –
Bairro Alto, vol. V, pp. 223-224, 3.ª ed., 1966)
Neste estudo, apenas indicarei os pregões saloios que Lisboa foi ouvindo
ao longo dos tempos, em especial nos últimos 110 anos que vão dos meados
do século XIX até cerca de 1960. Contudo, não se deve esquecer, como
informa Júlio de Castilho, que os pregões de Lisboa são muito antigos e
que já no século XVI eram apregoados os produtos vindos nas naus da
Índia.
Em 1980 ainda se ouvia, por uma ou outra ruela dos bairros alfacinhas, a
voz de uma ou outra velha varina, tentando perpetuar os seus
encantadores mas já moribundos pregões… era o seu canto de cisne!
Mesmo hoje, 2008, ainda ouço quase fantasmagoricamente, tal a raridade,
os pregões de um amolador de facas e tesouras ou dum vendedor ambulante
de mantilhas e capachos. São raridades etnográficas em rápida extinção…
Mas vamos aos pregões saloios que recolhi, aconselhando, a quem queira
fazer um estudo mais pormenorizado deste tema, a consulta à bibliografia
no final do presente.
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