[ INÍCIO ]   [ Sobre o Portal ]  [ FAQs ]  [ Registar site ou blog ]  [ Enviar informações ]  [ Loja ]   [ Contactos ]

 
"Temos obrigação de salvar tudo aquilo que ainda é susceptível de ser salvo, para que os nossos netos, embora vivendo num Portugal diferente do nosso, se conservem tão Portugueses como nós e capazes de manter as suas raízes culturais mergulhadas na herança social que o passado nos legou."  (Jorge Dias)
 
 
 
Arquitectura e construções
Artesanato
Cancioneiros Populares
Danças Populares
Festas e Romarias
Grupos de Folclore
Gastronomia e Vinhos
Instrumentos musicais
Jogos Populares
Lendas
Literatura Popular
Medicina Popular
Museus Etnográficos
Música Popular
Provérbios
Religiosidade Popular
Romanceiros
Sabedoria Popular
Superstições e crendices
Trajos
Usos e Costumes
 
Agenda de iniciativas
Bibliografia temática
Ciclos
Feiras
Festivais de Folclore
Glossário
Informações Técnicas
Loja
Permutas
Pessoas
Textos e Opiniões
Turismo
 
SUGESTÕES
Calendário agrícola
Confrarias
Datas comemorativas
Feriados Municipais
História do Calendário
Meses do ano
Províncias de Portugal
 
 

Pub
 
»» O SABER NÃO OCUPA LUGAR >> Textos, Opiniões e Comentários Pub
Pub
  UMA NOVA DINÂMICA PARA OS GRUPOS DE FOLCLORE (3)
A Festa Popular e o Folclore na viragem do século e do milénio

Que entenderemos hoje, então, por “festa popular” ? Será ela apenas a festa profana ? De forma alguma, pois existem ainda em inúmeros países considerados nações evoluídas festas religiosas que são eminentemente populares. A própria romaria, acontecimento religioso e social que, desde a Idade Média, tão arreigado é entre nós, portugueses, a própria romaria, dizia eu, com as suas duas componentes – a religiosa e a profana – acabou por se tornar, sobretudo no século passado, um acontecimento em que a festa profana – o chamado “arraial” – prevaleceu sobre a festa religiosa e se tornou mais importante, grandioso e participado do que esta.

Apesar da solenidade da celebração da Missa de festa e da Eucaristia e da pregação do eloquente sermão, a festa gastronómica, com a ingestão de manjares próprios e abundante vinho por entre toques de música, cantares, dichotes e brincadeiras, é, de longe, muito mais participada, até porque se prolonga na antecipação do arraial do fim do dia e da noite. É certo que a procissão – entre a festa gastronómica e o princípio do arraial – tem quase que uma participação total quer dos que nela se incorporam quer dos que, fazendo alas no seu percurso, a ela assistem; mas isso é compreensivo porque – perdoem-me a quase heresia – uma procissão é o espectáculo é a “Festa”. E à noite – perdoem-me, por favor, mais esta heresia – o arraial é mais uma festa báquica do que uma festa cristã... talvez até (seguramente, creio eu e apenas não eu) porque o arraial é, então, o ressuscitar no subconsciente das gentes de milenários e arcaicos rituais primitivos, de milenárias festividades pagãs. Cientificamente, quem sabe qual a origem da maior parte das romarias ou se elas não são apenas uma transformação de rituais pagãos?

Se considerarmos que o folclore é o conjunto de usos e costumes, práticas sociais e religiosas, tradições e expressões orais, musicais e coreográficas de milenária origem e secular evolução que permaneceram numa dada região ou num dado grupo étnico e cultural evoluído, facilmente descobriremos o interesse que a “Festa” encerra no âmbito dos estudos antropológicos.

Mas, que é “festa popular” hoje? A romaria já tão descaracterizada pela presença de vendedores e altifalantes e pelo comércio de restaurantes e comes e bebes? Os concertos de bandas, conjuntos e cantares de rock? Os encontros de futebol que por vezes redundam em aguerridos confrontos físicos como outrora as romarias proporcionavam não menos aguerridos confrontos de paulada? O comício político-partidário com igual participação de oradores políticos, conjuntos musicais e cançonetistas? Os festivais de folclore?

Pois bem! Os festivais de folclore! Os grupos de folclore!

Os grupos de folclore – alguns deles de tão discutível autenticidade e tão baixa e pouca qualidade – são uma bela a recente invenção surgida nas últimas décadas da primeira metade deste nosso século cujo próximo final coincide com o final do milénio.

Todos nós sabemos que o interesse pelo folclore surgiu nos princípios do século passado. É um fenómeno de inspiração liberal: perante o desaparecimento político de algumas nações, a integração de alguns povos em nações mais poderosas ou de maior progresso e a submissão de inúmeros grupos étnico-culturais e religiosos por outros grupos de cultura e passado histórico diferentes – convulsão política e social que deu os dramáticos compungentes resultados a que, em várias partes do mundo, estamos tragicamente assistindo – os valores culturais tradicionais dessas nações e desses grupos surgiram como único argumento lógico e a única realidade política de força para a reconquista da sua independência e da sua liberdade; os nacionalismos são uma faca de dois gumes mas podem ser, por vezes, a única esperança de alguns povos, de algumas nações. O folclore, sabe-se, não se restringe apenas a canções, melodias, danças e trajes. Mas estes são os aspectos que aqui convém analisar.

  <<<Página 2 +++ Página 4>>>

Aceder a mais TEXTOS e OPINIÕES


Pub

     

        

Se não encontrou nesta página o que procurava, pesquise em todo o Portal do Folclore Português
 



Acompanhe, em primeira mão as actualizações do Portal do Folclore Português:

FOLCLORE DE PORTUGAL - O Portal do Folclore e da Cultura Popular Portuguesa não se responsabiliza pelo conteúdo dos sítios registados
© Copyrigth 2000/2014  - Todos os direitos de cópia reservados - Webmaster