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UMA NOVA DINÂMICA PARA OS GRUPOS DE FOLCLORE (2)
A Festa Popular e o Folclore na viragem do século e do milénio

No entanto, é no que refere à “festa popular” – aquela que aqui me interessa abordar – que a entrada “Festa” desses dicionários é mais vaga, menos precisa. Mas, felizmente, logo a seguir a essa entrada pouco esclarecedora outra vem em meu auxílio e que se aproxima, embora resumidamente, daquilo que os dicionários de antropologia, sociologia, etnografia e folclore nos dizem acerca da “Festa”: refiro-me à entrada “Festança”, ou seja, à ruidosa festa popular celebrada sem qualquer estrutura ritualista ou cerimonial pré-determinada, codificada, mas sempre com muita alegria, grande envolvimento sentimental e social, sempre como um divertimento; numa síntese direi: essa emotiva festa que, despojada já da sua essência e do seu carácter sagrados e ritualistas, do seu simbolismo – seja esse símbolo de que tipo for – se torna eminente e efusivamente popular e que, de uma maneira geral, sempre existiu em todas as épocas, civilizações e culturas. 

Segundo A.  Detrouloux e P. Watté, a “Festa” é um momento da dinâmica sócio-cultural em que uma colectividade (isto é: um grupo) reafirma, de modo lúdico as relações sociais e a cultura que lhe são próprias. A festa elabora-se a partir de um tema mítico particular e organiza, se não uma desordem, pelo menos alterações à ordem para obter ou reactualizar na consciência colectiva o assentimento à ordem preconizada. É, portanto, [essencialmente] um jogo simbólico que ressitua a praxis em relação ao mito que lhe dá sentido. A festa vale o que valem, efectivamente, para o Grupo a simbólica utilizada e o mito evocado. Daqui decorrem as diferenças notórias entre a festa em meio arcaico e tradicional e a festa nas sociedades modernas.[1] 

É certo que, nas sociedades modernas e evoluídas, a “Festa” hoje se apresenta sob vários aspectos: religioso, cívico, popular, de mera diversão, etc., e acontece até que, por vezes, esses aspectos se conjugam paralelamente – por exemplo: nos casos em que à festividade religiosa se segue a festa profana, popular, de mero convívio social, de diversão – ou se apresentam isoladamente, separadamente. Aliás, a dessacralização da festividade religiosa, ritualista, até chegar à festividade profana – à “Festa” propriamente dita – é, do ponto de vista da antropologia cultural e da sociologia, um dos mais curiosos e apaixonantes aspectos e assuntos de observação, estudo e reflexão do longo e milenário caminho percorrido pela Humanidade.


[1] In Dicionário Geral das Ciências Humanas, direcção de G. Thines e Agnès Lempereur, Lisboa, Edições 70,  (s.d.)

 
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