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UMA NOVA DINÂMICA PARA OS GRUPOS DE FOLCLORE
“ A Festa Popular e o Folclore
na viragem do século e do milénio “
(Prof.
Tomaz Ribas)
INATEL -
Divisão de Etnografia e Folclore
Ionesco, esse absurdo dramaturgo e chefe de fila do “teatro do absurdo”,
afirmou algures – talvez na sua peça “La Leçon”, creio eu – que a
“filologia leva ao crime”. Não serei tão extremista mas dou-lhe alguma
razão pois, como todos nós sabemos e o nosso amigo Monsieur de La
Palisse opinava, as palavras são escorregadias – por vezes fazem-nos
cair em poços sem fundo quando as proferimos, outras vezes (tantas
vezes, hélas !) endoidam-nos quando as ouvimos ou lemos, afirmei
algures.
É por
essa razão que, quando preparo o esquema de qualquer lição ou quando
escrevo qualquer texto amiudadamente recorro aos nossos dicionários na
merífica esperança de que eles me esclareçam e me indiquem a palavra
certa, a que melhor possa exprimir o meu pensamento... atitude e recurso
– tenho de reconhecer – que não deixam de ser algo quixotescos já que a
minha longa experiência neste campo me faz concluir que os dicionários,
de uma maneira geral, copiando-se ipsis verbis ou plagiando-se
com outras palavras nas mesmas entradas, acabam quase sempre por dizer a
mesma coisa, o que talvez queira apenas significar que, ao fim e ao
cabo, as palavras são mais precisas e concretas do que pensamos ou,
então que, por vezes, não há palavras que correspondam a determinadas
ideias nossas. Se não há palavras que exprimam algumas ideias nossas,
então só nos resta inventar palavras – aventura que não deixa de ser
tentadora, até, porque é assim que as línguas se enriquecem. Mas não
será este, hoje e aqui o caso.
No que
se refere à palavra “Festa” devo humilde e honestamente confessar que os
dicionários de Língua Portuguesa que, antes de começar a alinhavar estas
ideias, consultei são bastante esclarecedores quer na descrição geral do
principal significado da palavra “Festa” quer nos vários sinónimos da
mesma que referem. Direi até que esse dicionários apontam o significado
e sinónimos dos vários aspectos da “Festa”: a festa religiosa, a festa
cívica, a festa palaciana, a festa popular...
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