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"Temos obrigação de salvar tudo aquilo que ainda é susceptível de ser salvo, para que os nossos netos, embora vivendo num Portugal diferente do nosso, se conservem tão Portugueses como nós e capazes de manter as suas raízes culturais mergulhadas na herança social que o passado nos legou."  (Jorge Dias)
 
 
 
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A criação e formação do museu foi um processo de esforço contra as orientações políticas que, institucionalmente, o Estado Novo pretendia impor ao museu; o grupo formado com núcleo em Ernesto Veiga de Oliveira, Jorge Dias, Benjamim Pereira e Fernando Galhano assumiu um projecto de museu em termos dissonantes em relação ao tom nacionalista e de Império colonial que era o oficial do regime. A um museu, que se pretendia de etnologia do ultramar na visão do Estado Novo, contrapunham a pergunta: e então que se fará do território continental? Para além desta perspectiva, o museu adoptou também, ainda na década de 60, uma posição de maior abrangência em relação ao mundo não colonial português: no museu tinham também lugar colecções provenientes de territórios de além-mar mas não sob o domínio colonial de Portugal, desfazendo assim essa característica que o Estado Novo lhe havia tentado impor de "museu colonial".

Nas palavras de Benjamim Pereira o museu fez-se em dez anos, a partir de 1963. Em 1974, o museu estava já numa fase francamente avançada da sua organização, faltando-lhe apenas formalização de processos burocráticos. A fase conturbada que o país passou após essa data foi de estagnação, mesmo de degradação, para o museu. Ainda assim uma parte fundamental das colecções estava reunida e ordenada, era objecto de estudo, de classificação e de publicação.

Nesta nossa análise sobre os museus e as colecções etnográficas existente em Portugal falta ainda referir dois tipos deveras significativos: por uma lado museu criados recentemente sob o impulso e com o apoio de autarquias, que pretendem obedecer a critérios museológicos actuais e que defendem pautar a sua actividade aquisitiva por princípios científicos rigorosos e com objectivos expositivos claros. Em suma, que têm um plano criteriosamente gizado a seguir e que o seguem cuidadosamente. Por outro lado não poderíamos deixar de referir um outro tipo de colecções/museus que nasceram de vontades, muitas vezes individuais, de salvaguardar aspectos do quotidiano que estavam em vias de desaparecer nas suas formas materiais e que, com uma elevada dose de dedicação pessoal, se transformaram em importantes colecções etnográficas. Apontaremos a título de exemplo para o primeiro caso o Museu Municipal de Loures e, para o segundo, Museu Agrícola de Fermentões, dependente da Casa do Povo dessa freguesia.

Ao primeiro já nos referimos, em termos gerais, num artigo publicado recentemente[1]. Valera a pena determo-nos nos aspectos relacionados com a colecção etnográfica que exibe sob o título "Somos Saloios. Procura de um Conceito". O ser-se saloio é apresentado sob diversas facetas, das casas onde habita ás roupas que veste; do que come à forma como o produz; das relações dentro da comunidade ás relações com os da cidade. A identidade de ser saloio é apresentada com alguma avareza de objectos mas com muita riqueza de conceito, com uma exploração voluntária das possibilidades identitárias que se aninham ainda sob a designação saloio. Nesta exposição, claramente, não se pretende que os objectos falem por si, que sejam auto-suficientes de um ponto de vista expositivo: o visitante da exposição é introduzido cartograficamente à área geográfica onde há saloios, dando-se-lhe um visão da evolução histórica dessa área; os objectos que povoam a exposição exemplificam aspectos essenciais do ser saloio e assumem, dessa forma, um valor representativo e simbólico acrescido. Num dos painéis expostos encontramos uma série de citações envolvendo uma fotografia de um saloio. Este painel chama a atenção de forma chocante pela agressividade das referidas citações: trata-se de frases várias sobre os saloios, colhidas em ditos populares e em autores conhecidos, que raiam, em alguns casos, o racismo. No final do painel topamos com a afirmação "somos saloios!", desafiando orgulhosamente a bruteza de algumas das citações.

Estamos perante uma exposição feita de raiz com objectivos claros; a colecção de objectos que podemos observar suporta a exposição, não é a exposição. As memórias associadas aos objectos estão também presentes, aqui e além, em pequenas legendas curtas e incisivas. Por exemplo quando é retratado o filme A Aldeia da Roupa Branca e os ambientes que esse filme registou, a exposição recolheu vários materiais sobre a rodagem do filme, as pessoas envolvidas, a publicidade de que foi alvo, os comentários que suscitou; não se limita a "afirmar", pela presença da bobine, que o filme registou ambientes saloios.

 

[1] Veja-se LIRA, Sérgio - "O Museu Municipal de Loures" in Antropológicas, nº 3, Universidade Fernando Pessoa, 1999, páginas 131 a 135.

 

 

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