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Cultura Material:
A emoção e o prazer de
criar, sentir e entender os objectos
por
Sandra
Nogueira
(Continuação...)
Comecemos
então, por clarificar, qual a função da Cultura Masterial? Que mais
valia trazem estes estudos à Humanidade? Jules David Prown define que o
estudo da cultura material tem o propósito de «(...) entender a cultura, de
descobrir as crenças – os valores, as ideias, as atitudes e as pretensões –
de uma determinada comunidade ou sociedade num certo tempo.» (Prown,1993:1).
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A Cultura está sempre e primeiramente ligada à
actividade mental do Homem. Cultura é sem dúvida tudo aquilo que
recebemos, herdamos e recriamos na nossa sociedade e para a nossa
sociedade. Cultura Material é pois, tudo « (...) aquilo que o homem cria
ou concebe e que utiliza na sua vida quotidiana, de modo a extraír do
meio envolvente tudo o que necessita.» (Nogueira, 2000:192.
Descobrir
os objectos é entender a sociedade que o recriou,
é uma experiencia muito rica e gratificante. O objecto, não é apenas
cor, textura, materia-prima, forma e função. O objecto, é
tudo
isto, e mais historia, contexto cultural, emoção, experiência sensorial
e comunicação corporal.
Mas,
a Cultura Material pode ainda ser encarada sob outra perspectiva:
Só
os objectos transcendem a fronteira do tempo e do espaço. Uma
materialidade que é caracterizada pela permanência, mas não pela
imobilidade. Aos objectos é conhecida a sua faceta “viajante”. Eles
circulam no seio das sociedades humanas e por isso, um mesmo objecto pode
adquirir diversos significados em mais de um contexto ou lugar.
Por
isso, aos objectos é reconhecida a sua imortalidade. Marcel Maget afirma
que «os traços materiais são os testemunhos que (…) mais duráveis são
dentro de uma cultura. Das muitas civilizações passadas é tudo o que
nos resta.». (1962:15)
São
aqui reforçadas as características da resistência, durabilidade e
permanência do objecto face às outras criações humanas, assim como é
igualmente frisada a sua intemporalidade. David Prown, tal como Maget,
escreveu que os «artefactos constituem a única classe de eventos históricos
que ocorreram no passado mas que sobreviveram até ao presente. Eles podem
ser reexperenciados; eles são autênticos, e são material histórico
primário para ser estudado em primeira mão. Os artefactos são evidências
históricas.» (Prown,1993:3)
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