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Existem
de facto momentos de emoção quando o artesão constrói determinada peça?
Funcionarão
os objectos como mediadores das relações humanas?
Até
que ponto são os objectos manifestações das nossas identidades?
Poderiam
ser às centenas as questões a levantar acerca do papel que os objectos
sempre tiveram na caminhada evolutiva da Humanidade. Tal como dizem os
autores acima referenciados, rodeados de objectos encontramo-nos,
inevitavelmente, rodeados de História e também de muitas histórias. Os
artefactos são pois capazes de vencer as barreiras temporais e espaciais.
Vencem o tempo e a idade, porque perduram para além da sua época. Vencem
espaços e distâncias, porque «viajam» para além das suas fronteiras
originárias.
Desde
tempos imemoriais, que o Homem tem uma ligação profunda com os utensílios,
e os objectos que cria e recria para satisfazer as suas necessidades.
Qualquer objecto – por mais rude ou singelo que seja -, é fruto de criação
intelectual e do trabalho criativo do ser humano.
Os
objectos têm funcionado ao longo dos anos e em muitas sociedades como
elementos de diferenciação social e/ou de sociabilização dos indivíduos.
Há uma carga simbólica agregada a cada um desses objectos. Os «artefactos
podem ter um papel utilitário, mas têm também uma função ideológica
relacionada com a organização social da sociedade, e podem possuir ainda
uma função ideológica relacionada com a ideologia da própria
sociedade.» (Lubar e Kingery,1993: XVI)
Do
sagrado e do profano fazem igualmente parte os objectos. A importância
destes no quotidiano de todos nós assume tão grandes dimensões que, há
autores a defender que a destruição de um objecto pode simultaneamente
ser a destruição de uma memória cultural. Anna Ostrowska diz, ser óbvio
o poder ou a força dos objectos na mobilização da memória
cultural. Por isso existem correlações estreitas entre os objectos e a
mudança ou afirmação do Eu. Se por um lado determinado objecto nos
proporciona sensações agradáveis e de continuidade ou permanência de
algo que nos é muito querido, por outro lado, a destruição do objecto
com essa forte carga simbólica, pode também funcionar como meio de mudança
de parte da nossa identidade.
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