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LER
A MUDANÇA NO FOLCLORE :
APROVEITAR CONCEITOS JÁ
INVENTADOS
(1)
Humberto Nelson Ferrão
Vai realizar-se em Novembro mais um dia de reflexão sobre as
coisas do folclore, mais uma vez em Santarém.
Também já no final da década de 80, juntamente com um grupo
reduzido de protagonistas, de gente ligada aos ranchos folclóricos e ao
fenómeno cultural que estes implicam, incentivei um encontro para
reflexão e agilização das concepções e contributos de cada um sobre
esta problemática. Um grupo constituído por cerca de 10/15 pessoas
notabilizadas de dentro e de fora do movimento folclórico, que
pretendia aprofundar mais os seus conhecimentos sobre folclore e ranchos
folclóricos e também conseguir alguns consensos mínimos à volta
deste tem: acabámos por ficar no entendimento / concepção dos tipos
de folclore que cada rancho ia praticando, abrindo portas para algumas
práticas diferentes no futuro...
Agora, no mesmo sentido, parece estar este jornal (em boa hora,
diga-se) para promover mais uma jornada de debate entre Congressos
(nacionais ou regionais). Uma boa iniciativa e metodologia a estimular
que deve merecer a atenção da FFP e doutras entidades que estão, ou
mais ou menos, ligadas ao campo dos ranchos folclóricos.
Passados tantos anos e depois de algum arejamento de ideias que
ocorreu, pretende-se falar de quê? Pelo que publicamente se
sabe, deve voltar a falar-se de “conceitos de folclore”. Também
posso concordar, mas o conteúdo e a matriz onde o tema assenta é que
me coloca algumas interrogações, porque até agora não foram dados
sinais de o debate ter uma orientação diferente daquela por onde se
tem andado nestas discussões: estas não se têm conseguido soltar para
um debate mais aberto e dinâmico que incorpore os novos
desenvolvimentos conceptuais académicos e científicos, entretanto
produzidos...
Daquilo que tenho percebido e dos argumentos que conheço, sou de
opinião que a orientação do debate dos ranchos folclóricos e do
folclore só teria vantagens para se conhecer melhor se se introduzisse
uma mudança de eixo, isto é,
a introdução de outras bases e
outros argumentos de debate, que possuam um valor acrescentado em
relação àquilo que se conhece das conversas sempre em círculo.
É por isso que aposto (arrisco?) um conjunto de definições e
orientações que não tenho visto em cima da mesa das discussões e que
só ajudaria a relativizar esses argumentos circulares que os dirigentes
e “legitimantes” dos ranchos folclóricos andam a produzir... .
Apesar de haverem muitos mais, elenquei apenas algumas para começar e
que é o meu contributo para cima da mesa, se entenderem que eles são
interessantes.
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