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Entre as designações dadas a povos migrantes que abandonaram as
suas terras defrontando as maiores dificuldades para garantirem a
subsistência, temos entre outros, os RATINHOS, os GAIBÉUS
e os CARAMELOS - que assim nos são definidos:
Ratinhos eram os trabalhadores rurais que periodicamente,
integrados em ranchos, se deslocavam das
Beiras e da região do Vale do
Zêzere para as actividades agrícolas sazonais que tinham lugar a sul,
designadamente nos campos do
Alentejo e da Borda-d’água.
Gaibéus,
que são os jornaleiros da província portuguesa
do Ribatejo ou
da Beira
Baixa que vão trabalhar
nas lezírias durante
as mondas. Sobre os mesmos fala no seu primeiro romance
Alves Redol
que inaugura, em 1939, o neo-realismo em Portugal.
Retrata "um povo resignado
que luta afincadamente durante o tempo quente, antes da chegada do Inverno,
em condições extremas para fazer render os poucos cobres que
lhes pagam por tamanha dureza. Por um lado o trabalho árduo de sol a
sol, as doenças
(malária), a fadiga e a teimosia em cada vez se fazer o trabalho mais
rápido para mais rendimento obter, a sede,
a fome, a pobreza extrema.
Por outro lado, o modo como preenchiam as escassas horas de
lazer, os sonhos de
uma vida melhor,
os projectos sem logro, o vinho para
alegrar os espíritos.
Com muita
vontade de trabalhar, os primeiros Caramelos a chegarem ao concelho da
Moita, desde finais do século XVIII até meados do século XIX, começaram
por limpar os matos e pinhais da Barra Cheia, Arroteias e Brejos,
transformando-os em terras férteis, apropriadas às culturas de sequeiro
e ao plantio da vinha. Após as colheitas, regressavam às suas terras de
origem nos concelhos de Cantanhede e Mira, regressando novamente na
próxima campanha de trabalho jornaleiro, razão pela qual eram chamados,
pelas gentes da borda-d’água, de ''Caramelos de Ir e Vir''.
Ora,
nestas três sínteses, encontramos três distintos surtos migratórios, em
que nenhuma designação é sinónima das outras ou de uma das outras. Mas
será assim? A mim e há uns bons anos, a designação “ratinho”foi
substituída por “gaibéus em escrito enviado a jornal, mas aqui posso eu
garantir que os mesmos (gaibéus) não chegaram.
Também
uma vez, na Herdade de Rio Frio me disseram que tinham de facto lá
chegado os “ratinhos”, mas que ali logo a cinco quilómetros já lhe
chamavam “caramelos”. Mas será que o povo caramelo tinha alguma
coisa a ver com o povo ratinho?
Esta é
mais uma página da nossa “História do Tradicional” que importa
esclarecer, e eu, sinceramente não tenho certezas. Claro que há outras
designações, entre as quais as de “avieiros”que
aliás e segundo julgo, não são susceptíveis de quaisquer dúvidas, em
especial quanto aos locais de origem e de destino. Mas para já, o
esclarecimento, o debate salutar sobre “ratinhos”,”gaibéus” e
“caramelos” é muito importante.
Nota: E aqui fica o convite para que outras pessoas se pronunciem. |