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"Temos obrigação de salvar tudo aquilo que ainda é susceptível de ser salvo, para que os nossos netos, embora vivendo num Portugal diferente do nosso, se conservem tão Portugueses como nós e capazes de manter as suas raízes culturais mergulhadas na herança social que o passado nos legou."  (Jorge Dias)
 
 
 
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A mesa do Zé

Lino Mendes (Portugal) 

(Continuação...)

Será então que preconizamos um regresso ao passado? É evidente que não, mas sugerimos, isso sim, que se aproveite todo o positivo das novas tecnologias no aproveitamento do tradicional.

E como era então a sua alimentação, dos trabalhadores em especial, quando deslocados à semana ou à quinzena?

Perguntámos a duas antigas camponesas, as irmãs gémeas Ramira e Margarida, que de pés descalços calcorrearam esse caminhos.

Logo ao levantar, e antes de enregar no trabalho, comia-se um bocado de pão com queijo ou com azeitonas, depois ao almoço feijão-frade ou batatas de azeite e vinagre, à merenda de novo pão com queijo ou com azeitonas, ao jantar feijão com couve ou sopas de carne e à ceia migas carvoeiras ou migas gatas. Claro que não seria sempre assim, mas esta era uma ementa possível.

E como seria a semana, no que diz respeita a gastronomia numa casa normal?

Falámos com a senhora Celestina Trindade, que bem conheceu as casas pobres embora se pudesse considerar remediada, de lavrador, e que nos disse que poderia ser assim, pelo menos, e se fosse convidada, assim organizaria uma “semana gastronómica”:

Segunda-feira:
Almoço: Açorda com bacalhau
Jantar: Sopa miuda ( com feijão verde e batata)

Terça-feira:
Almoço: Sopa de cação
Jantar: Feijão com couve e cação frito ( de preferência no forno )

Quarta-feira:
Almoço: Migas gatas com bacalhau
Jantar: caldo verde com sardinha assada ( de preferência no forno )

Quinta-feira:
Almoço: Sopa da panela, temperada com toucinho e chouriço
Jantar: O mesmo do almoço.

Sexta-feira:
Almoço: Sopa de cebola
Jantar: Feijão de molho com batatas

Sábado:
Almoço: Sopa de carne
Jantar: O mesmo do almoço

Domingo:
Almoço: Canja de galinha
Jantar: Galinha corada

Lembrando a doçaria, especialmente o arroz doce e o bolo de bacia, o bolo podre ( com mel e azeite ) e a torta de amêndoa, o bolo enrolado e a tigelada, o pão de ló e as broinhas, registemos também os licores de laranja, de tangerina, de limão e de erva cidreira.

Entretanto, lembremos que “a alimentação à base de “plástico” como se chama agora, sem frescos, sem fibras, sem frutas é maléfica para a saúde em especial das gerações jovens.         

Seria por isso importante “voltar aos hábitos mais são, a uma certa frugalidade”. A pressa do mundo e os horários de trabalho das pessoas, sabemos que é óbice a quem tem que cozinhar, mas há que fazer esforços para que todos tenhamos uma cozinha saudável.

E se hoje aqui trazemos um pouco da “nossa cozinha” da cozinha que ia “à mesa do Zé”, fazemo-lo por razões culturais e de qualidade de vida.

 


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