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O SABER NÃO OCUPA LUGAR >> Textos,
Opiniões e Comentários |
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A Opinião do Senhor Lino Mendes |
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A música no folclore de Montargil
Dizem que música "corria nas veias” das
gentes de Montargil Atesta-o todo um passado que não podemos nem devemos
ignorar, já que seria abdicar de uma identidade cultural imprescindível,
fundamental para o desenvolvimento. |
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A mesa do Zé
Se hoje entrar num restaurante de Montargil e pedir comida da terra,
isto é, comida tradicional, encontra facilmente (?) pratos de muito
agrado como sopa de cação, migas com carne de porco, cozido,
ensopado de cabrito ou borrego estufado, mas é pena que as outras
receitas mais do dia-a-dia como feijão com couve, a sopa de
cebola ou a sopa de cachola, o feijão de molho ou papas de espeto,
para mais não citar, sejam ignoradas. |
»» Postal da minha
aldeia
Embora com a Revolução Francesa cessassem as fronteiras
sociais, também considero que a vivência da burguesia não lhe confere a
marca de folclore. Nem sempre, dizem-me, mas gostava que
me explicassem - refira-se que não estou a contestar tal afirmação… -
quando o é. |
»» Verdades que devem ser
ditas
Estamos na época dos festejos locais e
parece-me importante falar
no assunto, e se deixamos bem claro que não nos referimos a ninguém em
especial, é porque muitas são as situações que se enquadram no nosso
lamento, que tem a ver com os “grupos de folclore” nas festas populares. |
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Ao sabor do pensamento…
Uma das facetas negativas que caracteriza o português
(muitos pelo menos) é a facilidade com que calunia o próximo, de uma
maneira geral atingindo os que singram na vida, quer no campo económico
ou do prestígio social. |
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Etnografia
e Folclore - Um Povo sem "Memória" não existe
Quando a todo o
momento, e por força do desejado progresso, somos confrontados com
padrões universais, nunca como hoje tão importante foi a defesa da
nossa identidade cultural. O que necessariamente passa pelo respeito das
nossas tradições, pelos usos e costumes daqueles que nos antecederam. E
aqui, temos um relevante papel a desenvolver pelos grupos de folclore. |
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Postal da Aldeia
Há quem não atribua à expressão “movimento folclórico” o mesmo
conceito que atribui a “movimento de folclore”, considerando que a
mesma entra já nos domínios da criatividade. No que me diz respeito, de
uma maneira geral, uso a segunda expressão “movimento de folclore”, embora considere que ambas têm o mesmo significado, já que folclórico,
ainda é sinónimo de folclore. Não sou, no entanto, detentor da verdade
absoluta… |
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Conversas
para uma Cultura das Tradições (I)
Não há, nem nunca houve no nosso país, uma “Educação para a Cultura da
Tradição” isto é, nunca a Escola ensinou (transmitiu) aos seus alunos os
valores que os definem e caracterizam, tampouco sobre a importância da
“cultura tradicional”. Não surpreende por isso que figuras prestigiosas
do país mostrem um total desconhecimento da matéria, e que num universo
de mais de dois mil grupos que de folclore se intitulam, apenas umas
três a quatro centenas tenham representatividade ou para isso trabalham. |
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Conversas
para uma Cultura das Tradições (II)
Ser ou não ser de folclore, eis a questão, e tudo seria mais fácil se
houvesse a tal Educação para a Cultura da Tradição. Porque o público
também gosta do que está adulterado, que por vezes até é bonito, e não é
isso que está em causa, e até por vezes e face a dois grupos (um
representativo e outro não) há quem diga quanto ao primeiro, que “ele há
aqui qualquer diferença, que eu não sei explicar, mas sinto”. |
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Conversas para uma Cultura das Tradições
(III)
Como saber, então, por exemplo num festival, qual é o melhor grupo de
Folclore?
Como deve ser feita essa avaliação?
Não há, nem pode haver “classificações” em folclore, dado que não se
pode comparar o que não tem comparação possível. De região para região e
mesmo de terra para terra, o folclore é caracterizado pelas diferenças.
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Jornadas de
História e Património Local:
O Povo Ratinho
O fenómeno das migrações sempre foi o reflexo da falta de
trabalho nas terras de residência, e foi isso que levou a que elevado
número de beirões, a pé ou de burro se metessem a caminho e nos
vastos campos do Ribatejo e do Alentejo - e mesmo da Extremadura
espanhola - procurassem a sua subsistência. Era gente simples,
necessariamente submissa, que não vergava face ao mais duro dos
trabalhos, não obstante os miseráveis quartéis em que pernoitavam
e à por vezes desumana alimentação. |
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Conversas
para uma Cultura das Tradições (2)
Os grupos ditos de folclore como que brotam de cada esquina, mas o
grave, o mal é que nem todos fazem jus a tal designação. Porque de folclore são todos e (apenas) aqueles que constituem
um “ museu vivo das suas tradições, que assentam a
sua representação num cuidado trabalho de pesquisa. |
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Conversas
para uma Cultura das Tradições (3)
Temos plena consciência de que a todos os níveis sectoriais, o nosso
país atravessa uma grave crise que não pode ser ignorada.
e se expressa na triste realidade de ser na Europa aquele que maiores
desigualdades sociais apresenta. Mas o que muito me preocupa no momento,
e não estou louco, é a indiferença quase criminosa com que se encara a
“cultura tradicional”, a nossa “memória” ,as “raízes” que nos
caracterizam e dizem quem somos . |
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Conversas
para uma Cultura das Tradições (4)
POVO não tem hoje o significado de “grupo social de
estatuto mais baixo, de plebe”, podendo definir-se como o”conjunto de
pessoas de um lugar, de uma região, de um país”. Isto é, quando hoje
falamos no POVO, não nos estamos a referir a uma classe ou camada social
- e os da minha idade se lembram certamente do “clero, nobreza e povo”
da nossa História - mas sim, de “um conjunto de indivíduos unidos entre
si por laços comuns de ordem rácica, histórica, cultural, religiosa, etc”,
digamos que de toda uma população independentemente da sua
actividade e condição social. |
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Conversas
para uma Cultura das Tradições (5)
Um grande (bom) Festival de Folclore
não é o que necessariamente decorre durante vários dias e tem a
participação de muitos grupos, pois basta um dia de festa,
cinco /seis grupos no respeito por todas as necessárias
valências que se interligam. |
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Conversas
para uma Cultura das Tradições (6)
Foi curioso o despertar do meu interesse pela “Cante”. Nesse dia
ao cair da noite o Rancho Folclórico de Montargil ia actuar na Casa do Alentejo (Lisboa). Mas na parte da manhã eu seria um
dos participantes num Colóquio cujo tema, tive conhecimento à chegada,
seria precisamente…o Cante. |
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