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CULTURA DA TRADIÇÃO
Lino Mendes (Portugal)
O
grande Festival de Folclore e os
ingredientes necessários
Um grande (bom) Festival de Folclore
não é necessariamente o que decorre durante vários dias e tem a
participação de muitos grupos, pois basta um dia de festa,
cinco /seis grupos no respeito por todas as necessárias
valências que se interligam.
Ora vejamos…
Cinco grupos (com qualidade.com representatividade) cada um dispondo de
vinte minutos (o suficiente para se mostrar), o que
totaliza em quaisquer das situações - 5/6 agrupamentos - o máximo de
duas horas, o que não cansa.
Um grupo vai sair e logo o seguinte se perfila para subir ao palco.
Preferimos o apresentador do próprio grupo desde que saiba passar
quase despercebido apenas demorando o mínimo tempo
necessário para que em palco os elementos se preparem para a “moda”
seguinte. Que não haja espaços mortos;
que não interessa quantas viagens o grupo fez ao estrangeiro
mas sim qual a sua matriz etnográfica.
A qualidade do “palco” é muito importante, o que é muito descurado mesmo
em festivais de renome. Deve ser liso e não escorregadio,
ter pelo menos 8X8 de espaço para dançar a que se juntará para a
“tocata” e neste caso, mais 2X8 encostado mas não pregado.
Se for possível, um pouco mais alto.
Alimentação
com qualidade a servir - sentados, se possível - antes de
trajar. Um desfile à tarde será muito bonito, mas inoportuno e
não aconselhável. Se a organização não dispuser de espaço para que os
grupos comam ao mesmo tempo, devem as refeições ser servidas por ordem
de distâncias, que igualmente deverá ser a de actuação,
que o hábito de deixar para o fim os mais mexidos ou de mais
nome
não tem razão de ser, que a qualidade deve ser marcante em todos os
participantes.
Iluminação
que encha o palco e não encandeie os participantes. Um som que não seja
barulhento, não prejudique os que estão nas casas vizinhas, e deixe que
os assistentes se consigam ouvir entre si, o que nem sempre acontece.
Aliás na C.M. deve ser tirada uma “licença de ruído” que indica a
sonoridade permitida.
Acompanhamento
- Da chegada à abalada deve cada grupo ser acompanhado por um par de
“guias” atentos às respectivas necessidades, e prontos a dar quaisquer
esclarecimento ou resolver qualquer situação.
É
oportuno, especialmente em tempo de muito calor, que a organização
esteja prevenida com garrafas de água.
Nos casos em que a entrega de “lembranças” se realize antecedendo as
actuações, o que levará ao palco algumas entidades, as eventuais
palavras que possam vir a ser ditas, apenas devem ter a ver com
folclore. É grave e já tem acontecido, o aproveitamento da
situação para propaganda política ou qualquer outra.
Os horários são para cumprir, e devem ser estudados ao pormenor.
É
certo que nem todas as organizações dispõem das necessárias condições -
mas seria bom que as entidades de apoio e para que tal aconteça,
comecem a pensar nestas pequenas(?) coisas.
Há quem diga que o público vai estando farto de espectáculos à maneira
tradicional, o que está errado. De que o público está farto, isso sim, é
de festivais mal organizados, onde por vezes até coabitam grupos
representativos com outros que de folclore nada têm. |