|
CONVERSAS PARA UMA CULTURA DAS TRADIÇÕES ( II )
Lino Mendes (Portugal)
Ser ou não ser de folclore, eis a questão, e tudo seria mais fácil se
houvesse a tal Educação para a Cultura da Tradição. Porque o público
também gosta do que está adulterado, que por vezes até é bonito, e não é
isso que está em causa, e até por vezes e face a dois grupos (um
representativo e outro não) há quem diga quanto ao primeiro, que “ele há
aqui qualquer diferença, que eu não sei explicar, mas sinto”.
Há, pois, um enorme trabalho de pedagogia a realizar, do qual não se
podem alhear os Ministérios da Cultura e da Educação, assim como a
comunicação social com enorme relevância para as Televisões.
Não tenho números concretos, mas a maioria de grupos que de folclore se
intitulam, de facto não o são. E alguns sinais negativos dado serem de
expressão nacional, nota-se, como se costuma dizer, à vista desarmada.
Havendo depois os específicos de cada região, que marcam as diferenças
que caracterizam cada uma das mesmas, por vezes até de localidade para
localidade.
Entretanto…
Situemos um grupo no início do século XX, mesmo até uns anos depois do
mesmo. E se esse grupo deve ser o “retrato”possível das gentes de
antanho, está errado que usem saias pelo joelho, que usem relógios de
pulso, que usem pinturas e cabelo à moderna, que vistam de igual pois o
povo não se fardava, que andem com medalhas penduradas no fato, que usem
óculos de sol, e algo mais haverá que agora não me recorda. Mas depois
existe todo um trabalho de pormenor que tem a ver com os usos e
costumes, com as tradições específicas da terra ou região em causa,
desde os bailes às fainas, dos ritos à gastronomia, das festas aos jogos
tradicionais, de toda a vivência de um povo onde o progresso
ainda não tinha chegado, onde as transformações aconteciam “sem
assinatura”.
E se digo que um
grupo deve ser o “retrato possível” porque estou entre os que consideram
que o puro e o genuíno não são possíveis. |
|