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CONVERSAS PARA UMA CULTURA DAS TRADIÇÕES ( I )

Lino Mendes (Portugal)

Não há, nem nunca houve no nosso país, uma “Educação para a Cultura da Tradição” isto é, nunca a Escola ensinou (transmitiu) aos seus alunos os valores que os definem e caracterizam, tampouco sobre a importância da “cultura tradicional”. Não surpreende por isso que figuras prestigiosas do país mostrem um total desconhecimento da matéria, e que num universo de mais de dois mil grupos que de folclore se intitulam, apenas umas três a quatro centenas tenham representatividade ou para isso trabalham.

Mas, o que é o folclore?

Definido em todos os dicionários e reconhecido pela UNESCO, podemos dizer que o mesmo deve “ser entendido como expressão da cultura tradicional, entendendo-se como tal os comportamentos, usos, vivências e valores que qualquer grupo social, relevante culturalmente, utilizou durante o tempo suficiente para impor a marca local, independentemente da sua origem e natureza.”

E um “grupo de folclore” o que deve ser?

Digamos que o “retrato” possível das gentes do antigamente. E aqui entenda-se antigamente como o tempo em que os usos e costumes ainda não sofriam influências universais, em que mesmo as alterações resultantes do encontro com outras gentes, aconteciam naturalmente. Era a chamada aculturação.

Mas, como saber que determinado acto é folclore?

O Inspector Lopes Pires tem uma maneira muito interessante de o explicar:

1) Ser popular (ser do gosto do povo… - ser da sua predilecção):

2) Ter autor desconhecido;

3) Ser tradicional (passar de geração em geração por via oral);

4) Ser universal (pertencer a uma comunidade cultural significativa e não apenas a uma família ou pessoa).

Quanto ao desconhecimento do que é folclore por parte de figuras prestigiosas, por certo que já ouviu muitas vezes a afirmação de que isso não tem importância, não passa de folclore. Pois bem, e segundo a “Sociedade de Língua Portuguesa”, tal só é tolerável a um analfabeto ou pessoa de pouca cultura.

 

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