[ INÍCIO ]   [ Sobre o Portal ]  [ FAQs ]  [ Registar site ou blog ]  [ Enviar informações ]  [ Loja ]   [ Contactos ]

 
"Temos obrigação de salvar tudo aquilo que ainda é susceptível de ser salvo, para que os nossos netos, embora vivendo num Portugal diferente do nosso, se conservem tão Portugueses como nós e capazes de manter as suas raízes culturais mergulhadas na herança social que o passado nos legou."  (Jorge Dias)
 
 
 
Arquitectura e construções
Artesanato
Cancioneiros Populares
Danças Populares
Festas e Romarias
Grupos de Folclore
Gastronomia e Vinhos
Instrumentos musicais
Jogos Populares
Lendas
Literatura Popular
Medicina Popular
Museus Etnográficos
Música Popular
Provérbios
Religiosidade Popular
Romanceiros
Sabedoria Popular
Superstições e crendices
Trajos
Usos e Costumes
 
Agenda de iniciativas
Bibliografia temática
Ciclos
Feiras
Festivais de Folclore
Glossário
Informações Técnicas
Loja
Permutas
Pessoas
Textos e Opiniões
Turismo
 
SUGESTÕES
Calendário agrícola
Confrarias
Datas comemorativas
Feriados Municipais
História do Calendário
Meses do ano
Províncias de Portugal
 
 

Pub
 
»» O SABER NÃO OCUPA LUGAR >> Textos, Opiniões e Comentários Pub


CONVERSAS PARA UMA CULTURA DAS TRADIÇÕES ( 6 )

Lino Mendes (Portugal)

O Cante  Alentejano

(Continuação)

A mulher começa a aparecer no “cante”. A que se deve tal facto? A mulher também faz parte da tradição?

Como atrás dissemos, as mulheres estiveram na génese do cante, lado a lado com o s homens. Ombreavam no trabalho e aí, podiam cantar e cantavam juntos. Mas a sequência, digamos que urbana do cante, privou, durante décadas, as mulheres de assumirem o seu papel como interpretes de uma “moda” que também era sua.

Dado o seu estatuto sócio-cultural, não frequentavam os lugares onde o cante se prolongou depois de desaparecer dos campos, afastado pela mecanização da agricultura. Por isso, só por isso, durante tanto tempo se fez o silêncio nas gargantas femininas.

Mais tarde veio Abril e pouco a pouco foram-se abrindo os corações das mulheres para o cante, à medida que se iam também abrindo os horizontes dos seus direitos e as suas possibilidades de movimentação dentro do tecido social.

Dizem-me que o cante nunca cantou a política. E quais eram os temas cantados?

Antes de 74 o cante não podia abordar a temática política Algumas modas, porque as houve, mais ousadas eram proibidas e os seus interpretes castigados. Neste país, mesmo com fome não se podia gritar por pão. Mesmo tolhidos, não podiam clamar por liberdade. Assim, as modas, feitas e divulgadas nessa época, na sua generalidade, cantavam a vida, a contemplação, a nostalgia, o amor, a saudade, o trabalho, tinham uma função mais de expiação das mágoas do que de reivindicação de melhor sorte.

Logo a seguir ao 25 de Abril, o cante e os corais foram notoriamente instrumentalizados para “enfeitarem” manifestações e comícios e as letras das modas, por essa via, sofreram, como não podia deixar de ser, durante algum tempo as influencias directas do momento político efervescente, reivindicativo e até quase conspirativo da altura, como nas modas “ morreu Catarina, era comunista” e “ oh reforma agrária, eu sonhei contigo…”.

Mas depressa os Grupos retomaram o cancioneiro popular, continuando a cantar as modas que falavam da vida, da sua vida, do campo e da nostalgia de tempos idos, como na moda, “lembra-me o tempo passado, tudo se vai acabando, o boi puxando o arado e o almocreve cantando…”

São muitos os grupos de cante que existem na cintura de Lisboa .Quer avaliar este fenómeno?

Com a diáspora, embora tardia, dos alentejanos para fora da sua terra, levaram consigo a crença pelo cante e a falta que do mesmo também sentiam. O cante era para eles uma espécie de colo onde se embalavam com as suas contrariedades para amenizarem o viver. Sem ele, mesmo longe, não podiam viver. Ainda por cima, se lhes acrescentou a saudade, fazedora de angústias.

Daí que por toda a Grande Lisboa, onde poisaram, deram seguimento ao seu sentir rural, e cantaram. Mas só cantando juntos surtia o efeito desejado. E assim nasceram, vários, muitos grupos corais, prenhes de ruralismo, em zonas eminentemente industriais.

Qual a influência, positiva ou negativa, do 25 de Abril no “cante”?

Julgamos que o 25 de Abril, libertando o povo de amarras e opressões, só podia ter influencia positiva em toda o seu existir. E o cante é uma expressão dessa mesma existência.

Todavia, com as influências da intromissão abusiva e não criteriosa da política activa nos corais, as coisas tremeram.

 

<<<Página anterior
 

»» Ler mais "Textos de Opiniões" de Lino Mendes

Pub

 

Pub

     

        

Se não encontrou nesta página o que procurava, pesquise em todo o Portal do Folclore Português
 



Acompanhe, em primeira mão as actualizações do Portal do Folclore Português:

FOLCLORE DE PORTUGAL - O Portal do Folclore e da Cultura Popular Portuguesa não se responsabiliza pelo conteúdo dos sítios registados
© Copyrigth 2000/2014  - Todos os direitos de cópia reservados - Webmaster