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Para muitos, o “trabalho de campo”é uma actividade reservada aos de
menor capacidade intelectual e inferir posição social, ignorando que
nalgumas situações se trata mesmo de uma ciência - não o será, por
exemplo, o “enxertar”? - e não raras vezes uma arte, como é o caso de “
retirar cortiça à mão”.
Vivo numa região onde a cortiça é rainha,
tenho falado com muitos “tiradores”, e era aqui que estava instalada a
“loja de ferreiros”onde se fabricavam das melhores machadas, factor
muito importante para a qualidade do trabalho.
Trata-se de um trabalho artesanal, muito
antigo, e ao que dizem único no Mundo. É um trabalho muito bem pago, mas
que requer técnica apurada e muita perícia.”Com golpes certeiros o
descortiçador retira a cortiça com a ajuda de um machado próprio, sem
prejudicar uma das mais preciosas espécies florestais do país”(Floresta
e Ambiente). Não sendo de ignorar, que só após 40 anos é que a cortiça
tem valor de mercado, e que um golpe desferido no tronco nu do sobreiro
pode significar o fim do mesmo.
Os “tiradores de cortiça” ( a que alguns,
noutras regiões, chamam descortiçadores ) têm que ser trabalhadores
altamente especializados no manejamento da “ machada de tirar cortiça”
ferramenta única no mundo” - há quem lhe chame machado do corticeiro
- com um cabo de madeira cortado em cunha, que ajuda a levantar a
cortiça sem que nunca se toque no sobreiro”(FA).
É sabido que os golpes na cortiça têm que
ter uma sequência certeira no tronco do sobreiro, para que seja aberto
um rasgo de alto a baixo - à altura do peito - sem atingir o (entre)casco
- fazendo a seguir um corte na horizontal, para então e com o cabo da
machada arrancar a cortiça da árvore.
Refira-se que quanto maior for a prancha
retirada, mais alto será o seu valor comercial. |