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Ranchos Folclóricos e "ranchos folclóricos"
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Num labor constante, responsável e desinteressado, estes Grupos
Folclóricos percorrem as aldeias, conversando com as pessoas mais
idosas, numa tentativa de lhes fazer recordar vivências de tempos
passados que urge preservar, e que constituem ou caracterizam muito do
ser do nosso povo.
É por isso que o saudoso Dr. António Cabral não teve dúvidas em escrever
que "Um grupo folclórico (ou rancho folclórico, etnográfico) é por
inerência da sua constituição uma força ao serviço da investigação,
defesa e promoção dos valores patrimoniais da comunidade em que se
insere, no campo específico das tradições orais. Orais e não só, na
medida em que estas se articulam com registos escritos e materiais. E é
a pensar nisso que muitos ranchos folclóricos têm preferido a designação
de etnográficos, ampliando assim os objectivos até à descrição atenta
das manifestações culturais das populações, a nível regional,
sub-regional e local."
No entanto, nem todos os Grupos ou Ranchos Folclóricos (muitas vezes
auto denominados de Etnográficos), apresentam com autenticidade os
aspectos essenciais da cultura popular da região ou localidade que dizem
representar. Infelizmente, em primeiro lugar, para os seus antepassados,
que devem andar às “voltas na cova” ao verem o ridículo da
pseudo-representação divulgada pelos seus descendentes. Em segundo
lugar, para as gerações vindouras, que não têm possibilidade de conhecer
verdadeiramente as respectivas raízes culturais. Finalmente, também,
para quem, sendo de fora, vê e pensa que as manifestações culturais que
está a ver são típicas e autênticas, mas, afinal, estão a comer “gato
por lebre”.
A propósito, o Padre Luís Morais Coutinho escreveu no seu livro «Subsídios
Históricos e Etnográficos do Alto Douro» o seguinte: “Ao falar
da dança etnográfica alto-duriense devo dizer que ela não escapa à
destruição que por aí campeia como praga ou epidemia.
Grupos que se atribuem de Ranchos Folclóricos e nós não vemos de onde é
o Folclore. O traje, a música, o ritmo e o gesto não dizem de onde são
ou até dizem que não são. (…)
Dentro de alguns anos, os etnólogos vão ter tremendas dificuldades em
separar o que é bom do que cheira mal...
Haja muito Folclore, mas do verdadeiro! Que possamos ver no traje, na
música, no ritmo e no gesto a história do nosso povo! Que possamos ver
as nossas raízes, afinal!”
Mais palavras, para quê?
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