[ INÍCIO ]   [ Sobre o Portal ]  [ FAQs ]  [ Registar site ou blog ]  [ Enviar informações ]  [ Loja ]   [ Contactos ]

 
"Temos obrigação de salvar tudo aquilo que ainda é susceptível de ser salvo, para que os nossos netos, embora vivendo num Portugal diferente do nosso, se conservem tão Portugueses como nós e capazes de manter as suas raízes culturais mergulhadas na herança social que o passado nos legou."  (Jorge Dias)
 
 
Pub
 
Arquitectura e construções
Artesanato
Cancioneiros Populares
Danças Populares
Festas e Romarias
Grupos de Folclore
Gastronomia e Vinhos
Instrumentos musicais
Jogos Populares
Lendas
Literatura Popular
Medicina Popular
Museus Etnográficos
Música Popular
Provérbios
Religiosidade Popular
Romanceiros
Sabedoria Popular
Superstições e crendices
Trajos
Usos e Costumes
 
Agenda de iniciativas
Bibliografia temática
Ciclos
Feiras
Festivais de Folclore
Glossário
Informações Técnicas
Loja
Permutas
Pessoas
Textos e Opiniões
Turismo
 
SUGESTÕES
Calendário agrícola
Confrarias
Datas comemorativas
Feriados Municipais
História do Calendário
Meses do ano
Províncias de Portugal
 
 

Pub  
   
»» O saber não ocupa lugar >> Textos, Opiniões e Comentários Pub
Pub    
  JANEIRAS... JANEIRAS!

João Ferreira
 
Retratos - 11/01/98

Viva o Senhor João
Cara de fino papel
Chegam-se as moças a ele
Como as abelhas do mel.


Janeiras... Janeiras... As Janeiras cantadas de  porta em porta  pelas ruas da minha aldeia rodeada de pinheiros, castanheiros, vinhedos e olivais; defrontando, a altiva, Serra da Estrela, vestida de neve debaixo do luar gelado.

Na escuridão da noite ouvem-se vozes em coro, cantando aqui e além em grupos, as mesmas cantigas que de geração em geração se fizeram ouvir até aos nossos dias numa comunhão de festa e de partilha em louvor do Ano Novo.


Levante-se daí Senhora
Do seu banco de cortiça
Venha-nos dar as janeiras
Ou de carne ou de chouriça.


As casas fartas; de porcos na salgadeira, papas na taleiga, fartura de sequeiro e dispensa bem farta, raramente diziam que não aos cantadores. Aos garotitos umas maçãzitas, nozes, figos secos, avelãs, castanhas, tudo servindo para a divisão final.

Outro rancho se aproxima. Cantadeiras de vozes bem timbradas, que a viola segue e a guitarra acompanha os seus trinados.

Viva lá o Senhor  António
Raminho de bem querer
Traga lá a chave da adega
Venha-nos dar de beber.

A espera não era muita, porque a porta de imediato se abria.

Então as raparigas com os xailes pela cabeça, abafavam o riso para não serem reconhecidas. Os homens, esses não queriam saber de mistérios, aceitavam a pinga de vinho que de tão boa vontade lhes era oferecido.

As Janeiras que nos deram
Deus será o pagador
Queira Deus que para o ano
Nos faça o mesmo favor.

Quantos deliciosos momentos passageiros, quantas fugitivas emoções que desejamos concentrar em nós próprios, imprimir bem fundo na memória para que a tradição não desapareça e não se confunda com os anos que nos vão trazendo novos sentimentos, novas dores e novas alegrias

O tempo implacável tudo nos rouba, tudo afunda e dilui em coisas sem sentido, de que às vezes as melhores horas, são aquelas que menos podemos evocar com precisão, porque de muito alto que subiram se desfizeram.


   

 

Pub

  300 x 250 Shopping      

        

Se não encontrou nesta página o que procurava, pesquise em todo o Portal do Folclore Português
 



Acompanhe, em primeira mão as actualizações do Portal do Folclore Português:

FOLCLORE DE PORTUGAL - O Portal do Folclore e da Cultura Popular Portuguesa não se responsabiliza pelo conteúdo dos sítios registados
© Copyrigth 2000/2013  - Todos os direitos de cópia reservados - Webmaster