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"Temos obrigação de salvar tudo aquilo que ainda é susceptível de ser salvo, para que os nossos netos, embora vivendo num Portugal diferente do nosso, se conservem tão Portugueses como nós e capazes de manter as suas raízes culturais mergulhadas na herança social que o passado nos legou."  (Jorge Dias)
 
 
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  JANEIRAS... JANEIRAS!

João Ferreira
 
Retratos - 11/01/98

Viva o Senhor João
Cara de fino papel
Chegam-se as moças a ele
Como as abelhas do mel.


Janeiras... Janeiras... As Janeiras cantadas de  porta em porta  pelas ruas da minha aldeia rodeada de pinheiros, castanheiros, vinhedos e olivais; defrontando, a altiva, Serra da Estrela, vestida de neve debaixo do luar gelado.

Na escuridão da noite ouvem-se vozes em coro, cantando aqui e além em grupos, as mesmas cantigas que de geração em geração se fizeram ouvir até aos nossos dias numa comunhão de festa e de partilha em louvor do Ano Novo.


Levante-se daí Senhora
Do seu banco de cortiça
Venha-nos dar as janeiras
Ou de carne ou de chouriça.


As casas fartas; de porcos na salgadeira, papas na taleiga, fartura de sequeiro e dispensa bem farta, raramente diziam que não aos cantadores. Aos garotitos umas maçãzitas, nozes, figos secos, avelãs, castanhas, tudo servindo para a divisão final.

Outro rancho se aproxima. Cantadeiras de vozes bem timbradas, que a viola segue e a guitarra acompanha os seus trinados.

Viva lá o Senhor  António
Raminho de bem querer
Traga lá a chave da adega
Venha-nos dar de beber.

A espera não era muita, porque a porta de imediato se abria.

Então as raparigas com os xailes pela cabeça, abafavam o riso para não serem reconhecidas. Os homens, esses não queriam saber de mistérios, aceitavam a pinga de vinho que de tão boa vontade lhes era oferecido.

As Janeiras que nos deram
Deus será o pagador
Queira Deus que para o ano
Nos faça o mesmo favor.

Quantos deliciosos momentos passageiros, quantas fugitivas emoções que desejamos concentrar em nós próprios, imprimir bem fundo na memória para que a tradição não desapareça e não se confunda com os anos que nos vão trazendo novos sentimentos, novas dores e novas alegrias

O tempo implacável tudo nos rouba, tudo afunda e dilui em coisas sem sentido, de que às vezes as melhores horas, são aquelas que menos podemos evocar com precisão, porque de muito alto que subiram se desfizeram.


   

 

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